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CULTURA - Irlanda vive pandemia de poesia
Seg, 01 de Junho de 2020 14:38

Poema Easter, 1916, de W.B. Yeats, sobre evento histórico E...

(brpress*) - Berço de célebres da literatura, como James Joyce, e da poesia e dramaturgia, como William Butler Yeats, que assina como W.B. Yeats e dá nome à Cátedra  de Estudos Irlandeses da Universidade de São Paulo, ligada à Associação Brasileira de Estudos Irlandeses - ABEIIrlandaestá aliviando as tensões e angústias da pandemia com poesia.  

 

Não estamos falando somente de posts em redes sociais, citando versos, frases, poetas e mesmo reproduzindo poesias inteiras. As pessoas estão colocando faixas com trechos de poesias em suas casas e nas ruas. E as autoridades, ligadas na tendência, seguiram a toada. 

 

O ministério de Saúde irlandês usou o poema Take Care, do ex-presidente Michael D. Higgins em uma campanha para reforçar o distanciamento físico, enquanto o próprio Higgins colaborou na criação de um novo poema sobre o “novo normal” com crianças em idade escolar. 

 

O taoiseach (palavra que designa o primeiro-ministro na Irlanda), Leo Varadkar, cita o poeta e escritor Seamus Heaney (nascido em Londonderry, na Irlanda do Norte) com tanta frequência em discursos que vem sendo acusado de ser um supertransmissor em uma pandemia de poesia.

 

Poemas na linha

 

Empresas e instituições de caridade pediram ao poeta Stephen James Smith que escrevesse novos poemas, um dos quais, Collective Counting, foi publicado acompanhado de um lírico vídeo mostrando as ruas então desertas de Dublin – que foi do lockdown à quarentena mais relaxada, em vigor desde meados de maio. 

 

O poema de Smith reflete sobre isolamento, ansiedade e solidariedade, contando de 1 até 10. O Poetry Ireland, um grupo de artes financiado pelo estado, uniu-se à instituição de caridade Alone para criar a Poetry Line, uma iniciativa para conectar poetas com idosos isolados, com poemas sendo recitados pelo telefone. 

 

Quando o celular de John Keane, 76 anos, agricultor do condado de Offaly, tocou, ele não teve dúvida: pediu para ouvir Easter, 1916, de Yeats, sobre o evento histórico Easter Rising, marcado por manifestações políticas violentas dos irlandeses contra a dominação britânica no país, que declarou sua independência em 1919, resultando na divisão da ilha em República da Irlanda e Irlanda do Norte (que permanece como parte do território britânico). "Tudo mudou, mudou completamente / Nasce uma beleza terrível”, dizem os versos. 

 

(*) Com informações do Irish Times. 

 

Assista ao vídeo do poema Collective Counting: