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BRASIL - Favelas do Rio lutam contra o coronavírus
Ter, 24 de Março de 2020 17:50

aixas alertando contra o coronavírus no Complexo do Alemão...

(Rio de Janeiro, brpress) - O Dia Mundial da Água (22 de março) trouxe um novo  questionamento para algumas favelas em comunidades do Rio: sem acesso à água, como lavar as mãos com a frequência que a cartilha contra o coronavírus manda? As autoridades “lavaram as mãos” enviando carros-pipa onde saneamento básico é luxo.


Somando cerca de 250 mil habitantes (dos cerca de 1,5 milhão que vive em favelas no Rio), os complexos da Maré e do Alemão, além de Manguinhos – onde havia pelo menos um caso de COVD-19 confirmado até a última segunda-feira (23/03) –, território onde fica encravada a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o maior centro de pesquisa e produção científica e tecnologia em saúde da América Latina e instituição parceira na campanha #SELIGANOCORONA - estão agindo por conta própria, sem esperar iniciativa do poder público. 

 

Tudo dominado

 

O primeiro caso de COVID-19 confirmado nas favelas do Rio foi na Cidade de Deus – local que dá nome ao único filme brasileiro até agora a receber quatro indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia. Até a última atualização desta reportagem, havia 305 casos de contaminação por cornonavírus nas favelas do Rio. 

 

Na Cidade de Deus e outras comunidades, traficantes e milicianos estabeleceram toques de recolher. Além de ameaçar moradores que forem flagrados circulando após as 20h, circularam com um alto-falante durante a tarde de ontem dando a ordem: “Fique em casa”.

 

Precariedade 

 

As favelas têm um “ecossistema” diferente de áreas mais abastadas, portanto precisam de um protocolo específico, quase impossível de ser cumprido, contra o coronavírus. São locais densamente populosos, aglomerados, com precárias condições de moradia e, em muitas partes, sem acesso à água. Não é só saneamento que falta – não são raros locais onde há escalonamento de disponibilidade nas torneiras. Ou seja: falta água dia sim, dia não.

 

Para “lavar as mãos” é preciso estocar água, criando um vetor para outras doenças. “Agir contra o coronavírus nas favelas é uma urgência institucional”, define a jornalista Luiza Gomes Henriques, responsável pela comunicação da Coordenação da Cooperação Social da Fiocruz, que está produzindo e custeando a campanha #SELIGANOCORONA, diretamente ou por meio de parceiros, como gráficas locais. 

 

(Juliana Resende/brpress)