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MATERNIDADE - Noruega ensina como equilibrar filhos e carreira
Ter, 07 de Maio de 2019 21:38

Na Noruega, a mãe tem licença remunerada do trabalho de at...

(brpress) - Causa espanto a alguns brasileiros que na Noruega – considerado o melhor país do mundo para mulheres – os pais, além das mães, tenham direito a três meses de licença paternidade. É o que diz a jornalista brasileira Renata Almeida, em artigo sobre a maternidade na Noruega para o Projeto #ColaboraNo sistema previdenciário norueguês mãe e pai são 100% remunerados por praticamente um ano (49 semanas) de licença, ou 80% por 59 semanas. O pai, geralmente, usa estes 90 dias para cuidar do bebê quando a mãe volta ao trabalho. 

No Brasil são 180 dias, para as mães, e 20 dias, para os pais, os prazos do afastamento remunerado. A diferença é gritante, mas o sistema brasileiro está dentro da recomendação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – de conceder ao menos 14 semanas de licença à mãe com remuneração não inferior a dois terços dos seus ganhos mensais no trabalho –, que é adotado por apenas 34 países. 

Divisão de tarefas

 Como escreve a jornalista brasileira Renata Almeida, que vive na Noruega com marido e teve filho no país, "é a divisão mais justa de tarefas na Noruega que ainda soa estranha para muitos brasileiros”. Ela se refere ao fato de que a licença paternidade é uma ferramenta que possibilita os pais planejar melhor a rotina da família e propicia à mãe uma volta ao trabalho mais tranquila e focada na carreira, já que conta com o pai para cuidar do bebê em casa.

“É um equívoco na divisão de papéis de achar que cuidar do bebê é tarefa (quase) exclusiva da mãe”, escreve Renata em artigo para o Projeto #Colabora. “O segundo erro é associar a tempo livre e descanso ter de cuidar das crianças em tempo integral. Uma forma (nem tão) sutil de desmerecer os sacrifícios normalmente vividos pelas mulheres”, complementa a jornalista, cujo marido é brasileiro e desfrutou do convívio com o bebê dividindo os cuidados com ela. 

Homens e bebês 

Na Noruega, o pai só tem direito a licença maternidade se a mãe trabalhar e tem até três anos depois do nascimento do bebê para tirá-la. “A naturalidade com que os homens cuidam de seus filhos aqui no país escandinavo mostra que eles são tão capazes de cuidar dos pequenos quanto nós mães.  Eu vejo isso no meu dia-a-dia. Na minha casa, notei que os detalhes na rotina do bebê passaram a integrar o roteiro do meu marido logo que ele se viu sozinho diariamente com nossa filha.”

Para a massoterapeuta brasileira Wendy Dantas, que também vive com marido e filhos na Noruega, mesmo tendo consciência e usufruindo do dia-a-dia em um país campeão de igualdade de gênero, “é fantástico ver homens empurrando os carrinhos de seus bebês nas ruas, todos orgulhosos de estarem cuidando deles”, escreve em artigo no site Brasileiras pelo Mundo.

Para Renata Almeida, essa cena é “o resultado agregado é de uma sociedade com menos discriminação de gênero, crianças com pai e mãe cuidadores, meninas e meninos com bons exemplos a se espelharem, um mercado de trabalho mais justo e diverso, pessoas mais felizes.”  

Mães e filhos bem cuidados

Wendy Dantas elogia o serviço e saúde obstétrico oferecido publicamente na Noruega, em artigo para o site Brasileiras pelo Mundo. “Todos os profissionais da maternidade são fantásticos e totalmente capacitados”. O governo paga todos os custos do pré-natal ao parto no hospital, também como estadia no hotel maternidade. Após o nascimento do bebê, a família recebe automaticamente uma espécie de pensão alimentícia mensal do governo até que complete 18 anos. Até os 16 anos, as crianças recebem atendimento e tratamento de saúde e dentário gratuito.