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BRASIL - Censura à Crusoé divide STF
Seg, 15 de Abril de 2019 18:46

Para o jornalista americano Glenn Greenwald, fundador do sit...

(brpress) - A revista Crusoé amanheceu sob censura nesta segunda-feira (15/04), a pedido do jurista José Antonio Dias Toffoli, atual ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal, que se sentiu prejudicado pelo conteúdo publicado. “O amigo do amigo de meu pai”, título da reportagem,  seria Dias Toffoli segundo Marcelo Odebrecht confidenciou à Lava Jato, em documento obtido pela Revista Crusoé, censurada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O “amigo do meu pai” seria Lula.

O site O Antagonista, do mesmo grupo e que tem o jornalista Diego Mainardi (foto) como um dos publishers, repercute o fato com milhares de comentários. E tinha, até o fechamento deste post, todos conteúdos referentes a Toffoli bloqueados.  Personalidades e membros do próprio STF comentaram o bloqueio. O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, afirmou que “a tônica na democracia é a liberdade de expressão.”

Liminar

O senador Randolfe Rodrigues (Rede), líder da oposição ao governo Bolsonaro, pedirá ao STF uma liminar para derrubar a decisão do ministro Alexandre de Moraes. O pedido será feito dentro da ação da Rede que questiona a constitucionalidade do inquérito aberto por Dias Toffoli dentro da qual Alexandre de Moraes determinou a censura. A decisão caberá a Edson Fachin, relator da ação no STF.

“A decisão avilta a nossa Constituição, amesquinha o papel da Suprema Corte e desfere um duríssimo golpe à nossa democracia e ao nosso ideal de uma Imprensa livre, que cumpra com coragem seu papel de informar tudo a todos, sem qualquer hesitação”, disse o senador em nota. “A decisão está partindo apenas de uma fração do Tribunal que se julga acima do Estado de Direito.”

Randolfe adverte para que estes ministros “não se envaideçam, pois todo poder tem limites e o período ditatorial brasileiro já foi deposto há décadas. A sociedade brasileira não tolerará esse abuso que mancha a imagem e a história do STF.” Para Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, “censurar é abominável”. E provoca:. “será que o Presidente Toffoli e o Ministro Moraes não acreditam na Justiça?”.

Lava Toga

Alessandro Vieira, autor do requerimento para a instalação da CPI da Lava Toga, afirmou que a censura à Crusoé agride violentamente a liberdade de imprensa. Segundo o senador, a censura reforça a necessidade de uma CPI para investigar o Judiciário. “Deveriam respeitar o cidadão brasileiro e responder às diversas denúncias que se acumulam há anos, sem a devida apuração.”

Para o jornalista americano Glenn Greenwald, fundador do site investigativo The Intercept – que revelou que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, interferiu no processo em que condenou o ex-presidente Lula, por meio de conversas vazadas de um aplicativo,  e que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, informou dados equivocados em seu currículo –, “é um grande abuso do poder judicial, extremamente perigoso, e deve ser denunciado por todos os jornalistas e aqueles que acreditam em uma imprensa livre”.

'Lamentável e absurda'

O presidente do Partido Novo, João Amoêdo, foi o único candidato à presidência nas eleições 2018 que se manifestou sobre o caso. Ele chamou a decisão de “lamentável e absurda” e “um ataque desproporcional” a decisão do ministro Alexandre de Moraes de censurar a revista.

"A liberdade de expressão não pode ser retirada ou ameaçada dessa forma, especialmente por um representante da mais alta corte do país. O papel do ministro deveria ser de fortalecer a imagem da instituição como defensora dos princípios de liberdade, e do correto trâmite legal, assim como dita a Constituição”, escreveu o empresário no Twitter.

“O ministro [Dias] Toffoli deveria ter seguido o caminho de qualquer cidadão comum e recorrido à primeira instância para ter seu pedido atendido, e não ir direto na mais alta corte e ter seu caso julgado por um colega.” 

Além de censurar a revista, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal tome depoimentos dos jornalistas responsáveis pela reportagem, em até 72 horas.