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BRASIL/CINEMA - Marighella desafia Bolsonaro
Ter, 15 de Janeiro de 2019 11:54

Seu Jorge é Marighella, filme de estreia como diretor de Wa...

(brpress) - O filme Marighella, dirigido por Wagner Moura, foi selecionado para a mostra principal do Festival de Berlim 2019, que ocorre na capital alemã de 7 a 17 de fevereiro. O longa conta a trajetória – sob a ótica dos revolucionários – do político e guerrilheiro Carlos Marighella classificado como terrorista pela ditadura militar brasileira por ser membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ter cometido crimes durante o regime militar no Brasil 1964-1985). 

Moura conseguiu aval do Ministério da Cultura, em 2017, para captar mais de 10 milhões de reais para a produção pela Lei Rouanet – que repassa a produções culturais dinheiro que seria pago ao Estado em impostos.  O incentivo fiscal a Mariguella  causou revolta nas redes sociais. Segundo o diretor, o filme é “um ato de resistência ao atual momento político brasileiro", e afirmou que está preparado para “ser odiado pela direita e criticado pela esquerda”, revelando que seu filme “tem lado”.

Ameaças e escolhas

Na fase de filmagens, Moura foi ameaçado por apoiadores do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que prometeram invadir o set. Segundo o diretor, que declarou voto em Guilherme Boulos (Psol), “este é o pior e o melhor momento para fazer um filme sobre Marighella”.

O fato de o filme ser exibido com destaque no Festival de Berlim, apesar de estar de fora da Mostra Competitiva, tem também um objetivo político: de mostrar à crítica e a audiências internacionais a história política do Brasil e sua conexão com o atual governo – que defende a ditadura militar –, alvo de severas críticas na imprensa alemã e europeia em geral, considerado de extrema direita e fruto de um retrocesso.

Festival engajado

Wagner Moura é bem conhecido da Berlinale, pois foi o ator principal no filme Tropa de Elite, de José Padilha, premiado com Urso de Ouro, em 2007, além de seu papel principal na série Narcos, da Netflix. O elenco do filme Marighella tem Seu Jorge como protagonista (apesar de Marighella não ser negro), Adriana Esteves, Bruno Gagliasso, Jorge Paz, Luiz Carlos Vasconcelos, Humberto Carrão, Bella Camero e Ana Paula Bouzas.

Em entrevista à brpress, o diretor do Festival de Berlim, Dieter Kosslick, reafirma o papel político da Berlinale, programando filmes e realizadores polêmicos, como o iraniano Jafar Panahi, que tem desobedecido a proibição de filmar e tem sido proibido de viajar a Berlim, e o francês de François Ozon, cujo filme Grâce à Dieu, que abre o festival este ano, é uma denúncia contra a leviandade e cumplicidade do bispo de Lyon por não ter punido um padre pedófilo de sua diocese.

Marighella ainda não tem data de estreia no Brasil. 

Leia mais sobre Marighella aqui.

(Colaborou Rui Martins, especial para brpress, que estará em Berlim do 6 ao 17 de fevereiro de 2019, convidado pelo Festival Internacional de Cinema)