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AMBIENTE - Ricardo Salles: mais munição no polêmico ministério
Seg, 10 de Dezembro de 2018 16:51

Ricardo Salles dialoga ideologicamente com Bolsonaro, ao def...

(São Paulo, brpress) - Uma indicação menos polêmica que a campanha. É esta a leitura que a brpress faz da nomeação para ministro do Meio Ambiente do governo de Jair Bolsonaro (PSL) do advogado Ricardo Salles, ex-Secretário de Meio Ambiente do governador de SP Geraldo Alkmin, de quem foi também secretário particular, presidente do movimento Endireita Brasil e candidato a deputado federal por São Paulo pelo partido Novo, do qual é filiado. A campanha de Salles dialoga ideologicamente mais com o Partido Social Liberal, que defende o porte de armas e que conflitos sejam resolvidos à bala. 

O advogado de 43 anos foi advertido pelo Novo pelo teor bélico de sua campanha nas eleições 2018, sob o slogan de ‘Segurança no Campo’, e foi condenado numa ação do Ministério Público de SP por improbidade administrativa, acusado de manipular mapas de manejo ambiental do rio Tietê, "com a clara intenção de beneficiar setores econômicos" – o que ele nega. Cabe recurso e a condenação não fez Bolsonaro procurar um substituto para a pasta.

Salles parece não se intimidar com os acontecimentos. Durante as eleições 2018, ele não tirou das redes sociais uma peça de sua campanha à Câmara dos Deputados sob o número 3006 (uma alusão a balas calibre 30-06 Springfield), na qual defendia o uso de arma de fogo “contra a praga do javali”; “contra as esquerdas e o MST”; “contra o roubo de trator, gado e insumos” e “contra a bandidagem no campo”

Apologia e incitação ao crime

A postagem da peça no Twitter suscitou, em agosto deste ano, várias críticas, além das vindas de seu próprio partido. A procuradora da República em São Paulo Janice Acari. integrante da Força Tarefa da Lava Jato em SP, twittou: “Num exame rápido, parece enquadrar-se na conduta do art. 286 do Código Penal (incitação ao crime) e não na apologia (art. 287). De qualquer forma, a peça de campanha pode ser impugnada na Justiça Eleitoral”. Salles acabou impugnado pelas urnas.  Mas será ministro. 

Antes de ser condenado na ação, em dezembro, ele declarou: “Sou réu, mas não há decisão contra mim. São todas favoráveis a mim. Todas as testemunhas foram ouvidas, todas as provas produzidas e o processo está concluso para sentença. Todas as testemunhas ouvidas, de funcionários do governo e fora, corroboraram a minha posição”.  Bolsonaro disse que manteria o nome de Salles no ministério do Meio Ambiente até que a ação – aberta em 2017 – fosse julgada, podendo ele ser demitido caso condenado. Não foi.

Até jornalistas definidos como “de direita”, como Reinaldo Azevedo, criticaram a campanha de Salles. O site O Antagonista cobrou posicionamento de João Amoêdo, candidato à presidência pelo Novo, com relação ao governo Bolsonaro, e Ricardo SallesComo todo filiado e candidato do Novo tem de ser ficha limpa e passar por um processo de seleção ao se candidatar pelo partido, o fato de Salles ser réu e ser do Novo suscitou cobranças de que o partido se posicione sobre a indicação. Mesmo com a condenação, o Novo ainda não se manifestou.

Em nota oficial, o Novo se resume a declarar que “é independente do governo eleito e seus filiados têm a liberdade de prestar serviço público, desde que não contrariem os princípios e valores da instituição”. A nota termina em um tom de aprovação à indicação do advogado  ao Ministério do Meio Ambiente: “Desejamos sucesso ao futuro ministro Ricardo Salles”.  Segundo a assessora de imprensa do Novo, Gabriela Clemente, “a indicação de Salles não foi feita pelo partido. Por isso, não há muito o que se falar.”

Publicação atualizada em 27/12/18.