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SÍRIA - ’Não queria estar na Jordânia’, diz refugiada
Sex, 06 de Julho de 2018 19:40

Mulher cozinha em campo de refugidos improvisado na fronteir...

(Ramtha, brpress) - O clamor das Nações Unidas para que a Jordânia, que está entre os países vizinhos que mais recebeu refugiados, reabra sua fronteira com a Síria cresce proporcionalmente à intensificação dos conflitos no sul do país. O apelo da ONU está ecoando na indignação de organizações não governamentais como Genocide in Syria e Human Rights Watch (HRW). Segundo comunicado emitido por HRW em 04/07, até os próprios jordanianos estariam pressionando seu governo nas redes sociais para receber refugiados da cidade síria de Daraa.

É de lá que saiu a agente de saúde de Médicos Sem Fronteiras (MSF) Safaa Alrifae há três anos, quando os conflitos entre as forças do governo de Bashar Al-Assad, apoiado pela Rússia, e rebeldes provocaram fuga em massa de civis para a fronteira com a Jordânia e mais uma crise humanitária. Aos 40 anos, viúva e mãe de três filhos, Safaa foi convencida pela filha mais velha a cruzar a fronteira rumo à cidade de Ramtha, a 90km de Amã, capital da Jordânia, em 2013, para viver longe dos constantes bombardeiros e das violências da guerra civil síria que já matou mais de 500 mil, feriu mais de 1,5 milhão, deslocou internamente 6 milhões e externamente 5,6 milhões (segundo o Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas), desde o início do conflito, em 2011.

Pior lá

“A situação no sul da Síria [onde fica Daraa, onde o conflito começou com protestos anti-governo] é muito dramática porque o Assad está tentando recuperar o controle desta região – uma das poucas ainda com forte resistência dos rebeldes, como a cidade de Idlib, ao norte, chamada de “caixa de morte”, diz Safaa. Cerca de 270 mil sírios estão na fronteira com a Jordânia, que está fechada desde junho de 2016.

Apesar da sorte de ser contratada para trabalhar ajudando pessoas que chegam à Jordânia, como ela, apresentando Transtorno de Estresse Pós-Traumático (PTSD, sigla em inglês para Post Traumatic Stress Disorder), quase sempre acompanhado de depressão e necessidade de tratamento médico, Safaa Alrifae diz que sempre pensa em voltar para a Síria, “porque não há muita gente ajudando lá dentro”.

“Eu não queria vir para a Jordânia”, continua Safaa, apesar de reconhecer ser a melhor opção devido à curta distância de Daraa a Ramtha, onde há muitos descendentes de sírios e onde Médicos Sem Fronteiras opera um projeto de assistência em saúde mental e física aos refugiados sírios que leva o nome da cidade jordaniana. “Não me sinto muito confortável aqui. Mas não é seguro na Síria – não só pela guerra, mas eu posso ser presa pelo regime [de Assad]”, argumenta.

(Juliana Resende, brpress) 

Números do Hospital de MSF, em Ramtha(*)

- 2.700 feridos de guerra atendidos na emergência;

- 1.842 pacientes sírios;

- 3.700 cirurgias de alta complexidade;

- 8.500 sessões de fisioterapia;

- 5.900 atendimentos de suporte psicosocial

(*) Em quatro anos de funcionamento.

Fonte: MSF


Assista a vídeo de Médicos Sem Fronteias na Jordânia: