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CINEMA - Gael Garcia Bernal: peça de Museu
Sex, 23 de Fevereiro de 2018 17:47

Gael Garcia Bernal em cena do filme Museu: crime de classe m...

(brpress) - Gael Garcia Bernal chegou atrasado na entrevista coletiva de imprensa do filme Museu (Museo, 2018), no Festival Internacional de Cinema de Berlim. E disse que era porque estava ensaiando para uma peça. Peça de museu? O ator mexicano sorri, enigmático: “De teatro”.

É aquele sorriso charmoso e ao mesmo tempo malicioso de Gael que fez o diretor mexicano Alonso Ruizpalacios o escolhê-lo para o papel principal: o ladrão burguesinho Juan Nuñez. É ele quem arquiteta um roubo (com o perdão do trocadilho) cinematográfico do Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México, em 1985.  

“Eu tinha só seis anos nessa época”, diz o ator de 39 anos. O crime é verídico e deixou o México boquiaberto pela ousadia. Nuñez e o comparsa Benjamín Wilson (Leonardo Ortizgris) invadem o museu para roubar tesouros astecas, como a máscara do Rei Pakal. A polícia e a mídia apostam na ação do uma quadrilha internacional. 

Road movie

Ninguém imaginava que a larapice seria uma forma de delinquência de dois jovens estudantes de veterinária de classe média, entediados com a vida confortável nos subúrbios de Satélite. Foram descobertos pelas trapalhadas nas tentativas de vender as preciosidades, quando decidem cair na estrada – e daí temos ares de road movie, lembrando Diários de Motocicleta (2003). 

O filme foi bem recebido em Berlim e o diretor admite ter sido influenciado pelo célebre filme Rififi, de Jules Dassin. O momento do roubo do museu aconteceu num momento de grande baixo astral no México, que tinha perdido a Copa e sido chacoalhado por um grande terremoto. “Eu só me lembro do terremoto”, brinca Gael. 

Alegoria política

O diretor Ruizpalacios não só faz do filme sobre o roubo uma alegoria política da máxima de que “ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão” – afinal, museus também, quase sempre, se apropriam do que exibem em seus acervos, sob a aura de protetores e cuidadores de tesouros da humanidade –, como conseguiu a colaboração do próprio Museu de Antropologia para fazer o filme. 

 No final das contas, Museu, o filme, serve como publicidade para aumentar a visitação do local, atraindo o público para ver de perto as raridades pré-colombianas até então esquecidas dentro nas galerias frias de um lugar físico e em algum lugar do subconsciente dos mexicanos. 

Gael García Bernal também está em The Kindergarten Teacher, em que Maggie Gyllenhaal é uma professora obcecada por um aluno de cinco anos que ela acredita ser um prodígio.