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MÚSICA - Stage Left encara desafio de tributo ao Rush
Dom, 18 de Fevereiro de 2018 14:44

Stage Left ao vivo: Rush em alta fidelidade. Foto: Divulgaç...

(São Paulo, brpress) - Três músicos brasileiros tomaram coragem (e muita aula de baixo, guitarra e bateria) e decidiram montar uma banda-show-tributo ao power trio canadense Rush, desde janeiro de 2018 oficialmente aposentado. Nascia Stage Left, que promete não decepcionar fãs do Rush.

Pelo menos foi assim com alguém muito próximo do guitarrista Alex Lifeson e do baixista Geddy Lee.  “Conhecemos em um dos fóruns de discussão de fãs de Rush um rapaz que conserta as janelas das casas de Lee e Lifeson e ele ficou muito impressionado com nossa fidelidade sonora ao vivo. Disse que iria mostrar nosso material para eles pessoalmente…Mas nunca soubemos onde isso foi parar”, diverte-se Silvio Freire, o guitarrista da Stage Left Rush Tribute (risos).

 A Show of Hands é o terceiro álbum ao vivo do Rush, gravado durante as turnês Hold Your Fire (1988) e Power Windows (1986).  Lançado em janeiro de 1989, A Show of Hands colocou fim à era dos sintetizadores da banda, forte característica daquela década, marcada pelos álbuns Moving Pictures  (1981), Signals (1982) e Grace Under Pressure (1984), responsáveis pelo maior sucesso comercial do Rush.

 Com nome tirado do álbum Exit… Stage Left (1981), a banda Stage Left  revive cada um dos clássicos da turnê A Show of Hands mantendo a originalidade de seus timbres e sonoridades. No palco, espere versões fidedignas de  músicas sensacionais como Subdivisions, Time Stand Still, Red Sector A, The Big Money, entre vários clássicos.

Por conta de um show da Stage Left, que tem Nereu Pereira (bateria e percussão) e Marcos Freire (vocais, baixo e teclados), no Bourbon Street Music Club, em São Paulo, ficamos curiosos e pedimos a Silvio Freire que contasse mais sobre como essa loucura de fazer cover do Rush aconteceu. 

Fazer covers do Rush é para poucos. O que levou vocês a encararem este desafio?

Silvio Freire - Realmente, o desafio que tínhamos pela frente nos fez pensar muito. Acredito que mesmo assim não tínhamos a visão total do tamanho do iceberg. Aceitamos encarar primeiramente porque somos fãs fervorosos há mais de 35 anos, com exceção do Nereu, nosso baterista, que ainda não tinha nascido naquela época (risos). 

Rush é banda de primeira grandeza. Por que correr o risco de tocar algo que é tão idolatrado? E que pode soar datado?

Silvio Freire -  Entendemos que Rush é uma banda que faz músicas para durarem para sempre. Ouvimos as canções da década de 80, 90, etc, e ainda assim são muito atuais em suas letras, as músicas são complexas sem perder a melodia, a musicalidade e a sutileza. Os desafios relacionados à execução de cada música são imensos e isso nos move.

Quais são as maiores dificuldades de tocar Rush?

Silvio Freire - As dificuldades não estão somente no fato de tocar as músicas em si, o que já exige muito de nossas habilidades enquanto músicos, individualmente. Também há questões de instrumentos, timbres de cada fase da banda e de toda a tecnologia necessária para se tocar Rush ao vivo. Afinal, somos também um trio e precisamos preencher cada música, em seus mínimos detalhes, em uma performance ao vivo. Estudamos muito as maneiras que o Rush se apresenta ao vivo para podermos replicar tal performance com a mesma massa sonora. 

Qual é a mágica (se é que há alguma), então? 

Silvio Freire - Stage Left, assim como o Rush, não utiliza backing tracks (pistas gravadas) em suas apresentações – tudo é executado ao vivo por cada um dos três integrantes da banda. Nós nos alternamos e sempre temos mais de uma responsabilidade no palco, seja com teclados, bass pedals, eletrônicos, etc. Isso exige muito ensaio para que todas as coisas funcionem perfeitamente ao vivo e que a plateia tenha a melhor experiência áudiovisual possível.

Qual é o grande barato da Stage Left? 

Silvio Freire - O prazer de executar as músicas com todas as suas características e detalhes, músicas que amamos. Mas a discussão inicial a respeito de se montar a Stage Left foi longa e cheia de reflexões. Sabíamos que os fãs de Rush também eram muito exigentes, assim como nós, e não aceitariam versões próprias das músicas, não aceitariam improvisos, rejeitariam timbres genéricos de teclados ou guitarras, ou mesmo solos de baixo simplificados. Isso sem falar nos vocais. Precisaríamos levar esse projeto muito a sério e buscar o reconhecimento dos fãs mais difíceis de conquistar. E isso é um trabalho permanente, simplesmente interminável. 

Quanto tempo demoraram para criar e ensaiar o tributo A Show of Hands? 

Silvio Freire - Montar um show da Stage Left nos consome de dois a três meses de estudo e trabalho, dependendo da fase, muita dedicação e incontáveis ensaios são mandatórios. Cada elogio é uma conquista e a cada show temos mais fãs de Rush vindo nos prestigiar.

Por que privilegiam este recorte da metade da carreira da banda e sua guinada mais eletrônica? 

Silvio Freire - Por se tratar de uma fase muito marcante e que realmente mostrou a forte versatilidade e energia dessa banda, resolvemos privilegiar este período do Rush e dedicar um show especial para ele. Rush é uma banda de muitas fases e muitas caras e seus integrantes foram muito competentes individualmente e coletivamente em cada uma delas, não é à toa que perduraram por mais de 40 anos e encerraram sua carreira no auge. Cada disco traz características únicas e marcantes. Durante a década de 80, quando os teclados e sintetizadores dominaram o mundo da música, a banda soube encarar esse novo desafio com maestria na minha opinião, e sobreviver como uma banda de rock progressivo nesse novo meio sonoro. Muitos sugeriram que a banda teria se vendido ao mundo comercial e logo veríamos o seu fim, outros acharam que as linhas de guitarra do Alex Lifeson seriam deglutidas pelos acordes de teclado do Geddy Lee. Muito pelo contrário. As linhas de guitarra encontraram perfeitamente seus espaços e enriqueceram as melodias com arpejos espetacularmente bem trabalhados. Um novo Rush. Com isso, nessa linha, produziram uma sequência de petardos inesquecíveis como Signals (1982), Grace Under Pressure (1984), Power Windows (1985) e Hold Your Fire (1987), fechando com o álbum ao vivo A Show Of Hands (1989), uma fase extremamente rica musicalmente e que marcou a época. Qual fã de Rush que não se encantou pelos teclados de Subdivisions e Time Stand Still, ou pelos eletrônicos de Red Sector A e Mystic Rhythms?

O Rush sabe da existência de vocês?

Silvio Freire - Imagino que eles não saibam da nossa existência, nunca tivemos ou buscamos um contato com eles. Sabemos que são bastante resguardados e não fazemos tanta tietagem assim (risos).

Mas fazer um tributo ao Rush é o cúmulo da tietagem!

Silvio Freire - Nós chegamos também a arrematar em leilão um braço de uns dos baixos da marca Wal que o Geddy Lee usou em turnê e que estava em poder de um de seus roadies. Enviamos o braço de volta para a Inglaterra e o luthier que o fez para o Geddy Lee reconstruiu o instrumento com as mesmas características originais. Assim, temos um pedaço da história do Rush em nossas mãos. Acho que esses foram os contatos mais próximos que tivemos com o Rush, além, é claro, de diversos shows em primeira fila...como não podia deixar de ser (risos). 

(Juliana Resende/brpress) 

A Show of Hands - Tributo ao Rush

Domingo (18/02), 20h30, no Bourbon Street - Rua Dos Chanés, 127 – Moema (São Paulo - SP); couvert artístico R$ 50. 

Assista ao vídeo da Stage Left tocando YYZ: