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CINEMA/GENTE - Diane Kruger: Tarantino, racismo e Dietrich
Qua, 07 de Fevereiro de 2018 17:04

Diane Kruger é Katja Sekerci, alemã que perde o filho e ma...

(brpress) - Diane Kruger, talvez a mais internacional atriz alemã da atualidade, é notícia não apenas por protagonizar a fortíssimo Em Pedaços (In the Fade, 2017, Alemanha – Globo de Ouro e  Critics' Choice Awards de Melhor Filme Estrangeiro –, que estreia no Brasil em 15/02. Ela saiu em defesa de Quentin Tarantino e será Marlene Dietrich numa série de TV.

A atriz e ex-modelo de 41 anos trabalhou com o diretor em Bastardos Inglórios, no qual ele chegou a apertar sua garganta numa cena para dar mais veracidade. Diane disse que concordou com o método e que nunca se sentiu desrespeitada por Tarantino – “foi pura alegria trabalhar com ele”, declarou. 

Kill Bill

Tarantino foi alvo de ataques da atriz Uma Thurman, num artigo para o New York Times em que ela descreve ter sido um pesadelo fazer Kill Bill, por causa dos abusos físicos de Tarantino e das investidas sexuais do produtor do filme, Harvey Weinstein (que negou as acusações). Thurman afirmou que contou ao diretor à época, mas ele não ligou. 

Depois da interpretação de Diane Kruger em Em Pedaços – que deu a ela a a Palma de Melhor Atriz no Festival de Cannes –,  fica difícil pensar em que a atriz tenha restrições com entrega emocional e física a qualquer papel. 

Despedaçada

No filme, ela é Katja Sekerci, uma alemã que leva uma vida normal ao lado do marido turco, Nuri, e do filho de 7 anos. Um dia, ela é surpreendida ao descobrir que ambos morreram devido a uma bomba colocada diante do escritório do marido. 

Desesperada, Katja decide lutar por justiça ao descobrir que os responsáveis foram integrantes de um grupo neonazista. Mas o doloroso processo na Justiça absolve os culpados. Então, ela parte numa jornada solitária e corajosa buscando enquadrar os responsáveis. 

Impunidade

“Em Pedaços é sobre os que ficam – pois os mortos se vão e tudo que ficamos sabendo é sobre os casos de ataques. A mídia pouco ou nada fala sobre os sobreviventes, seus traumas e carências”, diz Diane Kruger. Foi tamanha a intensidade do filme – um panfleto sobre a impunidade, dirigido por Fatih Akin (Atravessando a Ponte ao Som de Istambul, 2005), alemão de origem turca –, que ela ficou seis meses sem trabalhar. 

Reaparecendo em festivais, Kruger foi citada após as denúncias de Uma Thurman como outra suposta vítima da truculência de Tarantino e resolveu se posicionar.  Confira seu post no Instagram: 

Esclarecimento

“À luz das recentes alegações feitas por Uma Thurman contra Harvey Weinstein e sua experiência de trabalho terrível em Kill Bill, meu nome foi mencionado em numerosos artigos sobre a cena de estrangulamento em Bastardos Inglórios.

Este é um momento importante e meu coração se dirige a Uma e a qualquer pessoa que tenha sido vítima de agressões e abusos sexuais. Eu estou com vocês. 

Para o registro, porém, gostaria de dizer que minha experiência de trabalho com Quentin Tarantino foi pura alegria. Ele me tratou com absoluto respeito e nunca abusou do seu poder ou me forçou a fazer qualquer coisa com a qual eu não estivesse confortável. Com amor, D”. 

Marlene

Sobre a série de TV em que ela viverá o mito do cinema Marlene Dietrich (1901-1992), Diane Kruger disse que é uma tentativa de humanizar a atriz e cantora. A série também será dirigida por Faith Akin, vai se passar nos anos 40 e tem estreia prevista para 2019.

“Ela foi muito mal compreendida na Alemanha, que a tratou como uma traidora na época”, declarou Kruger ao portal Quotidien. “No entanto, ela amou o seu país, ajudou os judeus a escaparem da Alemanha e parou de trabalhar para atuar nas linhas de frente da guerra. Marlene foi uma mulher forte, complexa e comprometida com o que acreditava”. 

Assista ao trailer de Em Pedaços: