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TABAGISMO - Enquanto Brasil proíbe, Reino Unido incentiva uso de ‘e-ciggy’
Qua, 25 de Outubro de 2017 10:12

Uma outra alternativa ao cigarro tradicional, promete dividi...

(Londres, brpress) - Enquanto o Brasil proíbe a venda de cigarros eletrônicos ou vaporizadores – também chamados de e-cigarretes, e-cigars ou e-ciggy –, no Reino Unido o aumento de usuários jovens e o surgimento de lojas especializadas, que vendem somente esse tipo de produto, torna-se um novo fenômeno comportamental, de saúde pública e de mercado. Tanto que a Inglaterra sedia dois grandes eventos sobre o tema: a feira Vaper Expo 2017, de 27 a 29/10 [http://www.vaperexpo.co.uk], e a quinta edição da conferência E-Cigarette Summit 2017, em 17/11, na Royal Society. 

Estatísticas mostram queda do uso de cigarro tradicional na Inglaterra –, onde o governo oferece, por meio de campanhas anti-tabagistas, meios alternativos de tratamento, incluindo cigarros eletrônicos. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o comércio e importação de qualquer dispositivo eletrônico de fumar – especialmente, produtos que se apresentam como alternativa ao tratamento do tabagismo. 

De acordo com o NHS (National Health Service), o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, embora tenha diminuído o número geral de usuários de cigarros tradicionais e eletrônicos na Inglaterra (em 2016, havia cerca de 2.4 milhões de usuários de e-ciggys, representando cerca de 5% dos adultos), a prevalência na faixa de jovens de 16 a 24 anos aumentou de 2%, em 2015, para 6%, em 2016.

Direções opostas

A Anvisa alega falta de comprovação científica sobre a eficácia e segurança do produto. A Associação Médica Brasileira (AMB) apoiou a proibição de cigarros eletrônicos no país e classificou a resolução da Anvisa como “um marco contra o tabagismo no Brasil”. De acordo com a Action on Smoking and Health (ASH), instituição beneficente britânica que trabalha para eliminar os danos causados pelo uso do tabaco, os cigarros eletrônicos tiveram um impacto significativo nesse processo. 

A cada outubro, o NHS realiza a campanha Stoptober, que incentiva o fumante a não fumar durante todo o mês.  De acordo com a campanha, ao parar de fumar por 28 dias a pessoa tem cinco vezes mais chances de deixar o hábito totalmente. 

Durante o Stoptober, o NHS oferece apoio por meio de aplicativo gratuito para o celular, e-mails diários, chat pelo Facebook, consulta presencial com especialista e terapias de reposição de nicotina, como adesivos, chicletes e spray nasal de nicotina, além do uso de cigarros eletrônicos. 

Apoio para parar

“Sabemos que os fumantes acham os cigarros eletrônicos úteis para deixar de fumar, então é ótimo que a Stoptober incentive seu uso pela primeira vez neste ano”, diz Hazel Cheeseman, diretora de Política da ASH. A Organização Mundial da Saúde reconhece o Reino Unido como líder mundial no controle do tabagismo. O país pretende ter uma geração livre do tabagismo até 2022. 

De acordo com o NHS, mais de um milhão de pessoas já usaram o Stoptober para ajudá-las a parar de fumar.  Nos dez anos desde que a proibição de fumar em locais públicos foi introduzida no país em 2007, quase dois milhões de pessoas deixaram de ser fumantes de cigarros tradicionais. Mas os cigarros eletrônicos proliferam. A loja Vapestore, que abriu em março deste ano em Dorking, no condado de Surrey (cerca de 40 km de Londres), é um exemplo das que abriram recentemente na região. 

O percentual geral de fumantes adultos com mais de 18 anos no Reino Unido caiu de 19.9%, em 2010, para 15.5%, em 2016 – o nível mais baixo desde que o índice começou a ser registrado. Apesar da redução, o cigarro continua sendo um grande risco à saúde. As estimativas do governo indicam que 79 mil pessoas morreram em 2015 em decorrência do tabagismo, o que representa 16% do total de mortes. Isso significa mais de 200 mortes por dia por causa do cigarro. Outros dados preocupantes, segundo o governo, apontam que 8% dos jovens de 15 anos ainda fumam, assim como 10% das mulheres grávidas. 

Heat-not-burn

Uma outra alternativa ao cigarro tradicional, promete dividir o mercado de ex-fumentes com os cigarros eletrônicos: o heat-not-burn. O produto, que vem sendo fabricado pela indústria tabagista, aquece o tabaco e produz uma fumaça que os fabricantes dizem ser menos nociva à saúde que o cigarro. Como os cigarros eletrônicos, não há estatísticas que comprovem que seu uso é seguro. Estudos têm demonstrado que o cigarro eletrônico apresenta vantagens em relação ao cigarro de tabaco, justamente por não possuir tabaco ou combustão, apresentando somente a nicotina vaporizada.