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MODA - London Fashion Week prega sustentabilidade anti-Brexit
Dom, 17 de Setembro de 2017 13:46

Jaqueta Pourpoint, de Vivienne Westwood, feita com couro que...

(Londres, brpress) - Pelo segundo setembro consecutivo, quando acontece a London Fashion Week, semana de moda londrina, para Primavera-Verão, a diretora do British Fashion Council, Caroline Rush, faz um discurso anti-Brexit. Desta vez, ele veio acompanhado de apelo pela sustentabilidade, pedindo a adesão de uma indústria estimada em cerca de R$ 264 bilhões, 6% do mercado britânico e que emprega 880 mil pessoas – a maioria de diversas nacionalidades europeias. 

“Nossos negócios estão pedindo acesso gratuito tarifário à UE e fronteiras sem barreiras, além de apoiar oportunidades para construir parcerias culturais e economicamente benéficas com outros países”, disse Rush, em discurso de abertura da LFW, que vai de 15 a 19/9. “Continuamos a fornecer informações, estudos de caso e relatórios para o governo, enquanto continuamos tão internacionais quanto antes do referendo [em que ganhou o sim para saída do Reino Unido da União  Europeia], no ano passado.”

70 países, Europa e os chineses

É evidente a importância da internacionalização para a indústria da moda britânica, que vai além do varejo, a começar por universidades de moda, como Central Saint Martins, que são powerhouses criativas  atraindo talentos pagando mensalidades que chegam a R$ 50 mil por ano – especialmente chineses e russos endinheirados. O Designer Showrooms, exposição de estilistas iniciantes na LFW, é uma prova cabal de como o Reino Unido vem capitalizando os benefícios da globalização nas indústrias criativas: são 150 expositores de diversas nacionalidades. 

Computados compradores e visitantes, incluindo mídia credenciada, a conta fecha em 70 nacionalidades circulando pela London Fashion Week. Nas lojas, os turistas chineses são os que mais gastam no mercado de luxo britânico, abocanhando 23%, seguidos pelos americanos, com apenas 7%, segundo o Global Blue 2017. A União Europeia foi a maior importadora de tecidos e itens de vestuário produzidos no Reino Unido – sendo 74% do total de exportações do setor no país (aumentando 36% desde 2012 e totalizando R$ 27 bilhões em 2016). 

Sustentabilidade e consumo

Mas falar em sustentabilidade num mercado cujas vendas de moda feminina cresceram 1.3% em 2016, alcançando R$ 108 bilhões em 2016 e que devem chegar a R$ 116 bilhões em 2021 (Mintel, 2017) soa como conversa de político populista.  Caroline Rush anunciou a campanha  Switch to Green Energy (“Mudança para a Energia Verde”), que tem a estilista e ativista Vivienne Westwood na linha de frente. A campanha pede que até 2020 a indústria da moda (confecções, lojas, designers, varejistas, editores e parceiros de comunicação) se una para reduzir as emissões que causam o efeito estufa e o aquecimento global. 

A campanha é parte das diretrizes da iniciativa Positive Fashion, do British Fashion Council. Entre as marcas e lojas que já se comprometeram estão Belstaff, Christopher Raeburn, E Tautz, Harvey Nichols, Kering, Marks&Spencer, Selfridges, Stella McCartney, Teatum Jones e Vivienne Westwood. A estilista que vestiu o movimento punk acaba de relançar a  jaqueta Pourpoint, feita com couro que seria descartado. É uma peça bem cortada e inspirada nas jaquetas que os cavalheiros medievais costumavam usar por baixo das armaduras, lançada originalmente em 2003. 

Vivienne Westwood também bate sempre no bordão “menos é mais”, pedindo aos fashionistas para comprarem menos quantidade e privilegiar a qualidade. Mas quantos podem pagar por uma jaqueta de R$ 5620?  Os números do varejo de moda feminina no Reino Unido mostram que as vendas só aumentam: foram R$ 108 bilhões em 2015 e a cifra deve crescer 23% em 2020, chegando a R$ 128 bilhões (Mintel, 2016), principalmente impulsionadas pelo e-commerce e , claro, o fast fashion. 

Millennials

A campanha Switch to Green visa fidelizar a principal parcela das consumidoras de moda: as Millennials ou geração do milênio, nascidas após o ano de 1980 até a década de 90. É sabido que 48% das Millennials se interessam mais por marcas que usam tecidos ecológicos e que 37% das mulheres gostariam que as lojas oferecerem mais roupas que valem para todas as estações, enquanto 35% gostariam de mais qualidade (Mintel, 2017). A pesquisa não informa se preço entrou na roda. 

A campanha Switch to Green também destaca a fabricação local e a valorização do artesanato, a saúde dos trabalhadores na indústria da moda e a diversidade de modelos. Por isso, a modelo britânica cujos pais vieram de Gana, África, Adwoa Aboah (nascida em 1992 e o rosto do momento no Reino Unido) é Embaixadora da Moda Positiva. 

Após problemas com drogas e de tentar se matar, apesar de uma bem sucedida carreira como modelo (foi capa da Vogue Estados Unidos que celebrou, em março de 2017, a diversidade nas passarelas),  Adwoa criou a plataforma online Gurls Talk, onde estimula outras garotas a falarem sobre vícios, problemas mentais, sexuais, de autoimagem, etc, além de um festival com apoio da marca de luxo Coach.

(Juliana Resende/brpress)