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CINEMA - Locarno: um manifesto antifascista
Sex, 04 de Agosto de 2017 10:57

Telão de 300 m2 na Piazza Grande para 8 mil espectadores, n...

(Locarno, brpress) - Locarno é o segundo festival de cinema mais antigo do mundo, precedido pelo Festival de Veneza. Foi criado em 1932 por Mussolini, com o objetivo político de fazer propaganda do seu governo e do fascismo. Veneza, que se transformou, mais tarde, no grande festival da arte cinematográfica, teve suas horas menos gloriosas quando Hitler interferiu, em 1938, para que o Leão de Ouro fosse entregue ao filme nazista de Leni Riefenstahl, Os Deuses do Estádio, produzido pelo Terceiro Reich.  

Para fazer oposição a esse festival comprometido com as ideologias nazifascistas, a França ia criar em 1938, o Festival de Cannes. Porém, houve a invasão da Polônia, começou a 2a. Guerra Mundial e o Festival de Cannes só surgiu em setembro de 1946, alguns dias depois de ter começado o Festival de Locarno, lançado no dia 23 de agosto. O Festival de Berlim ou Berlinale só foi criado cinco anos depois.

Vocação política 

A vocação política de Locarno vem do seu inspirador: Filippo Sacchi, jornalista italiano de esquerda, exilado em Locarno, durante o fascismo italiano, que mobilizou suíços antifascistas para criar o festival. 

As projeções, em 1946, eram numa tela de 56m2, fixada na parede do Grande Hotel, para um pequeno público reunido no jardim do hotel (o telão atual tem 300 m2 e é montado na Piazza Grande diante de 8 mil espectadores). Ali estiveram lendas do cinema como a francesa Arletty, Marlene Dietrich, Gina Lollobrigida, Vittorio Gassman, Vittorio De Sicca, com seu clássico Ladrão de Bicicleta (1948). Depois vieram ao festival Michelangelo Antonioni, Claude Chabrol, Eric Rohmer e, mais tarde, Abbas Kiarostami, Alexandre Sokourov, Todd Haynnes, Jim Jarmusch, Jafar Panahi, Spike Lee e tantos outros.

(Rui Martins/Especial para brpress)