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ARTES CÊNICAS - Edimburgo vira megapalco com festival
Sex, 28 de Julho de 2017 12:27

Cena de Flight, espetáculo que mescla graphic novel, atores...

(Londres, BR Press) - 0 Edinburgh International Festival, maior festival de artes performáticas do mundo, faz 70 anos em 2017. O festival transforma a histórica capital escocesa em um enorme palco, com espetáculos das mais diversas linhagens e gêneros, incluindo grandes produções e pequenos achados no The Fringe, “festival alternativo” que em 2016 apresentou 50.266 sessões de 3.269 espetáculos em 294 locais (bares, teatros, lojas, ruas e onde mais você imaginar), durante 25 dias em agosto. O festival acontece de 09 a 28/08. 

A história do Edinburgh International Festival começa em 1947, no clima reconciliatório pós-Segunda Guerra Mundial, para unir nações por meio da arte e da cultura. Em clima de Brexit e, consequentemente, da volta da aspiração separatista da Escócia do Reino Unido, esta edição do festival promete ser histórica. A BR Press estarálá de 17 a 21 de agostos, vivendo essa atmosfera e assistindo a espetáculos selecionados.  

Ópera dark

Entre os highlights do festival está uma montagem de Macbeth, a ópera dark em quatro atos do compositor italiano Giuseppe Verdi, pelo Teatro Regio of Turin. A ópera teve sua primeira montagem na primeira edição do festival, em 1947.  A direção da nova montagem é da aclamada  atriz, dramaturga e diretora Emma Dante, o nome que tem ecoado além das coxias do La Scala de Milão. A diabólica trilha sonora é regida pelo maestro e diretor musical do Teatro Regio Torino Gianandrea Noseda.

Voo rasante

Numa direção totalmente contrária à grandiloquência de Macbeth está Flight, peça do grupo Vox Motus, com estreia mundial no festival. Misturando bonecos, graphic novel, atores, miniaturas e técnicas multimídia, a companhia conta a história de dois órfãos lutando para sobreviver numa viagem épica pela Europa afora. Os espectadores assistem o desenrolar do enredo em cabines e com fones de ouvido individuais para que a experiência teatral seja ainda mais imersiva. Diorama (modo de apresentação artística tridimensional, de maneira muito realista) na sua essência, com a história de duas crianças perdidas em terras perigosas,  adaptada do livro Hinterland, de Caroline Brothers, publicado em 2012. 

Elixir circense

Circo e afins têm lugar reservado no camarote do Fringe, com uma programação especial para chamar de sua no Underbelly's Circus Hub – um espaço dedicado exclusivamente a estas milenares artes no Edinburgh Fringe. Ali acontece o espetáculo Elixir, premiado com o First and Foremost Entertainment Award, no Brighton Fringe 2015. Circo como você nunca viu antes, sem clichês e contra todas as expectativas, promete arrebatar a audiência com uma aura subversiva e hilariante ao mesmo tempo. 

Tutu pra homem

TUTU: Dance in All Its Glory (TUTU: Dança em Toda sua Glória) é outra pérola do Edinburgh Festival Fringe. O espetáculo é dançado por seis homens, ou “TUTU men”, como os intrépidos performers  polimorfos (multiforme, que pode variar de forma) que encaram diferentes coreografias, interpretações, caras, estilos e piruetas. 

Cafés que contam histórias

Atração pré ou pós teatro são os cafés, pubs e restaurantes de Edimburgo que, mesmo casuais, transbordam charme, histórias e, claro, os melhores uísques artesanais.  

O Spoon, antigo Nicolson’s Café, é um dos endereços do circuito JK Rowling antes da fama pela saga Harry Potter. Com mobília retrô, tijolos aparentes e estantes de livros, esse crossover entre café e rest descolado é um pit stop obrigatório  em Edimburgo. 

O mesmo pode-se dizer do Elephant House, que tem uma vista linda do Castelo de Edimburgo, onde a então pobretona JK sentava-se para escrever e se inspirar, tomando não raro somente uma  franciscana ‘tap water’ (“água de torneira”). 

Tanto o Spoon quanto o Elephant estão incluídos no The Potter Trail, uma caminhada gratuita temática em Edimburgo. No caminho, estão outros marcos, como a George Heriot School e o cemitério Greyfriars Kirkyard, que inspiraram lugares citados nos livros de Harry Potter.   

Quem preferir uma vibe mais underground pode se perder pelos pubs e clubes em busca dos personagens que fizeram Irvine Welsh, outro cidadão de Edimburgo, escrever Trainspotting (1993, seu primeiro livro), transformado em cult filme em 1996, pelo diretor Danny Boyle (também escocês), com direito a sequência lançada em 2016 no cinema e em 2002 em livro (Porno). 

Festival para ler

E já que estamos falando de literatura,  o Edinburgh International Book Festival também acontece em agosto. Recheado com mais de 700 eventos e reunindo mais de 800 autores de todo o planeta, o festival do livro garantiu ao Charlotte Square Gardens, no coração da cidade, o título de Cidade Literária da UNESCO. 

Edimburgo fica a quatro horas e meia de trem saindo de Londres.