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SAÚDE - HIV: tratamento sob nova luz
Seg, 24 de Julho de 2017 21:18

HIV pára de se replicar com terapia antirretroviral. Foto: ...

(Londres, Brpress) - Duas notícias sobre o HIV, vírus que pode causar Aids, trouxeram mais esperança de vida muito próxima do normal aos soropositivos. Ao mesmo tempo em que um estudo, publicado na revista científica britânica Lancet, nesta segunda-feira (24/07), e apresentado na Conferência Internacional de Investigação sobre a Aids, em Paris, sugere que o tratamento injetável pode revolucionar a terapia antirretroviral, mais uma criança que tomou remédios durante um pequeno período de tempo com poucos meses de vida continua sem a replicação do vírus, oito anos depois da suspensão da medicação. 

A injeção, que combina os medicamentos cabotegravir e rilpivirina, foi administrada em 230 pacientes com carga viral indetectável – que faziam tratamentos com remédios ministrados via oral diariamente – durante dois anos. 87% daqueles que receberam injeções a cada quatro semanas se mantiveram com a carga viral indetectável (condição em que o vírus HIV existe, pois o resultado exame dá “reagente”,  mas não se reproduz, mantendo-se em níveis de infecção abaixo do captável por exames quantitativos). , 97% daqueles que receberam as injeções a cada oito semanas também alcançaram a mesma condição. No tratamento diário via oral, o estudo mostrou uma taxa de 84% de eficácia.

Alternativa 

A tratamento injetável pode ser uma opção importante de estancar a replicação do vírus HIV em soropositivos e diminuir considerável e consequentemente a contaminação daqueles que se relacionam sexualmente com eles sem proteção (embora o uso de preservativo seja recomendado para garantir mais segurança). A injeção pode ser uma alternativa a pacientes que têm dificuldades de tomar os medicamentos via oral rigorosa e diariamente no mesmo horário – condição sine qua non para que o tratamento funcione.  

Em países em que situações de extrema pobreza não permitem que pacientes sendo tratados com antirretrovirais mantenham o tratamento com a devida regularidade. o tratamento injetável pode ser uma opção a mais. No entanto, todos os pacientes relataram dores no local da injeção e alguns efeitos colaterais, como dor de cabeça e diarréia  – sintomas que também podem ocorrer com  a administração das drogas via oral.

O fato importante é que o estudo aponta que, num futuro próximo, pacientes poderão escolher entre o tratamento com pílulas ou injetável, principalmente em países que já disponibilizam a terapia antirretroviral no sistema público de saúde, como é o caso do Brasil. De qualquer modo, como ainda não há cura para a contaminação por HIV, ambos os tratamentos têm ser ministrados por toda a vida do paciente – e sem interrupção, para evitar que o vírus volte a se replicar e de modo mais resistente. 

Vida sem remédios 

A perspectiva de tratamento para crianças é melhor com a notícia de mais um caso de remissão do vírus sem o uso de medicamentos. A menina sul-africana de 9 anos, que nasceu com o vírus e recebeu tratamento nos primeiros dois meses seguintes ao seu nascimento permanece com a carga viral indetectável mesmo após mais de oito anos sem receber medicação. Este caso somado a uma francesa que recebeu medicamentos durante três anos após seu nascimento e, aos 20 anos, permanece sem replicação do vírus, pode significar que, quando tratado logo após o nascimento, o HIV pode perder a força e não mais se replicar mesmo sem medicamentos. 

Se mais casos como estes forem confirmados, aumentam as chances de poupar crianças de terem de tomar remédios antirretrovirais por toda a vida e ficarem mais suscetíveis aos efeitos colaterais dos mesmos. Mas há o caso do menino americano, conhecido como “Mississippi baby”, que recebeu tratamento ao nascer, mas cuja carga viral voltou a aparecer após dois anos sem medicação.