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FOTOGRAFIA - A arte do selfie
Seg, 04 de Setembro de 2017 00:00

Selfie da Rainha Elizabeth com a família: uma das imagens d...

(Londres,  BR Press) - Para a alegria geral da nação e dos que não resistem a um selfie, foi prorrogada até 06 de setembro a exposição From Selfie to Self-Expression, na Saatchi Gallery, um dos hotspots da arte e da moda de Londres. Seria a popularidade entre os visitantes um reflexo do narcisismo exacerbado dos nossos tempos? Nesta terça (05/09), foi anunciada a vencedora do concurso #SelfieExpression, premiada com uma exposição individual na Saatchi: Paola Ismene, do México, com a foto Daydream in Blue

Outras dez imagens finalistas vão de juntar às mais de 14 mil já selecionadas de mais de 113 países – um número que superou em muito as expectativas da Saatchi, apesar de a galeria reconhecer o selfie como um fenômeno supremo da auto-expressão e, portanto, da arte contemporânea. Selfies desse mundo de gente, somados a autorretratos de artistas renomados como Van Gogh, Rembrandt e Velázquez, se misturam a selfies de celebridades – até a Rainha Elizabeth fez um dela com a família (e os cães) – na exposição. 

Junte-se a eles

"No século 16, eram apenas os artistas que tinham habilidades, materiais e ferramentas para criar autorretratos", diz o diretor-geral da Saatchi, Nigel Hurst. Apesar de nunca ter tirado sequer um selfie antes da mostra, foi ele que teve a ideia de reunir os selfies numa mostra. "Agora, todos nós temos esse meio através dos nossos smartphones. O selfie é, de longe, a forma mais expansiva de auto-expressão visual contemporânea, quer você goste ou não... O mundo da arte não pode se dar ao luxo de ignorá-lo".

A exposição argumenta que a concepção do selfie – tirar nossa própria foto com nossa própria câmera – não é totalmente nova. O selfie é algo antigo com um nome trendy. Até gente séria como Stanley Kubrick fez um, olhando atentamente para um espelho. Nem o desencanado Beatle George Harrison deixou de registrar sua já rodada imagem em frente ao Taj Mahal – isso em 1966.

Em parceria com o patrocinador – a marca de smartphones Huawei, que traz lentes da cultuada câmera Leica –, a Saatchi comissionou jovens fotógrafos como Juno Calypso. Ela se fotografou durante uma viagem que fez sozinha a um hotel para casais em lua-de-mel na Pennsylvania (EUA) – um lugar definido pela fotógrafa como “um pesadelo gótico pink dos anos 60”. 

Olho roxo

Uma fotografia de Nan Goldin, chamada Nan One Month After Being Battered, a autorretrata com um olho roxo para evitar que esqueça o dano causado pela violência de um namorado. Outras 50 fotografias de passaporte do artista colombiano Juan Pablo Echeverri são uma pequena amostra das milhares que devem existir desde que ele começou, em 2000, a fazer caixas fotográficas e tirar fotos de si mesmo de diferentes formas.

O primeiro selfie é datado de 1920: cinco homens bigodudos usando chapéus e ternos em um telhado de Nova York, mantendo alegremente uma câmera do tamanho de uma pasta ao alcance do braço. Nunca poderiam imaginar um mundo em que mais de um milhão de selfies são tiradas todos os dias, muitas vezes em circunstâncias alarmantes – mergulhando com tubarões, sendo perseguido por touros ou durante uma escalada ilegal de um edifício escandalosamente alto, como o do “aventureiro urbano” Kirill Oreshkin

O mundo e não o seu umbigo

Ao contrário do que se pode imaginar, o concurso #SelfExpression convidou artistas, fotógrafos, pessoas criativas e qualquer criatura munida de um smartphone para afastar o olhar de si mesmo e documentar o mundo e tudo ao seu redor, com a chance de ganhar uma exposição individual na Galeria Saatchi.

“Nós encorajamos envios experimentais e inovadores que levem a fotografia de smartphones a novas direções interessantes”, avisa Nigel Hurst. Ele admite que algumas pessoas odeiam os selfies, mas argumenta que elas devem abraçá-los. "Eu vou fazer uma confissão: até antes de ontem, nunca tinha me fotografado sozinho. É uma questão geracional. Meus filhos me ensinaram que um selfie é a coisa mais normal do mundo. Mas não necessariamente banal”.