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CINEMA - A dolorosa verdade na Síria
Qui, 06 de Abril de 2017 12:55

Cidade de Fantasmas, sobre a guerra na Síria, é o filme de...

(São Paulo, BR Press) -  Numa semana em que parece ter sido constatado o uso de armas químicas na guerra da Síria, empregado pelas tropas leais ao presidente sírio Bashar Al-Assad, a exibição do documentário Cidade de Fantasmas (City of Ghosts, EUA, 2016), retratando sem filtro as atrocidades que vêm sendo cometidas contra civis no país, como filme de abertura do festival É Tudo Verdade, dia 20/04, em São Paulo, adquire caráter de mais uma denúncia que já passou dos limites da urgência.

Dirigido por Matthew Heineman, indicado ao Oscar e ao Bafta 2016, e premiado com o Emmy e em Sundance como Melhor Diretor por Cartel Land, que examina o tráfico de drogas na fronteira do México com os EUA, Cidade de Fantasmas retrata a  rotina dos jornalistas ativistas do grupo Raqqa is Being Slaughtered Silently (RBSS) [Raqqa Está Sendo Assassinada Silenciosamente], que arriscam a vida diariamente para registrar em vídeos e fotos os crimes cometidos pelo  Estado Islâmico, que tomou sua cidade, na Síria, em março de 2014, tornando-a sua “capital”.

Síria sofrendo

“Este ano, batemos o recorde de inscrições de 10 ótimos e dolorosos documentário sobre a guerra na Síria”, diz Amir Labaki, diretor do É Tudo Verdade. “Mas o mais intenso é, sem dúvida, Cidade de Fantasmas. No festival, ele será exibido com classificação etária de 18 anos. Se você não quer ver imagens de truculência e extrema violência, por favor, não venha à sessão de abertura do festival. Se você quer entender o que está por trás de tanta violência, venha, mas prepare-se. A barbárie não terminou com o Holocausto. Está acontecendo agora na Síria”. 

A situação na Síria tem sido definida como genocídio por organizações como Genocide in Syria e outras, como a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres. Médicos Sem Fronteiras e União das Organizações de Cuidados Médicos afirmam que o ataque que levou a uma reunião de emergência do Conselho de Segurança (CS) da ONU, foi a gás – o que a Rússia, aliada de Assad e membro do CS,  afirmou ter sido dano colateral de “vazamento decorrente de um bombardeiro aéreo por aviões sírios a um depósito de armas químicas usadas pelos rebeldes”. 

Resultado: o CS adiou votação da resolução que levaria a uma investigação rigorosa do ocorrido – como exigem Reino Unido, França e Estado Unidos – por causa do veto da Rússia. "Quantas crianças mais terão que morrer antes de a Rússia agir?", perguntou a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley. Donald Trump considerou o ataque realizado na manhã de terça-feira (03/04), no povoado de Khan Sheikhun, “inaceitável”. Mas não informou como os EUA pretendem agir em favor da aprovação da investigação pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e a ONU. 

‘Chocante contradição’

Num dos raros posts sobre política no Facebook, o diretor de Cidade de Fantasmas, Matthew Heineman, contestou a tentativa de proibição da entrada de muçulmanos nos EUA, incluindo refugiados da Síria, por decretos de Trump. “Essa ordem impede que gente merecedora de asilo e vinda de uma tragédia humana que eu presenciei quando fazia meu filme entre no país”, disse o cineasta à IndieWire. “É uma chocante contradição para nossa nação que, desde os tempos coloniais, tem sido construída por refugiados buscando uma vida melhor aqui”. 

O Amazon Studio, braço audiovisual da gigante do e-commerce, comprou os direitos de Cidade de Fantasmas por US$ 2 milhões. 

Assista ao trailer de Cidade de Fantasmas: