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CINEMA - (Anti)Heróis ressuscitados
Ter, 21 de Março de 2017 21:36

Gladiador 2 teve roteiro de Nick Cave recusado. Foto: Divulg...

(BR Press) - Saiu no Guardian: Ridley Scott deu a entender que está trabalhando numa sequência de Gladiador (2000), oscarizado filme sobre o heróico e mal humorado general romano Maximus Decimus Meridius, encarnado por Russell Crowe – mesmo tendo ido desta para melhor, depois de matar alguns leões no Coliseu. “Eu sei como trazê-lo de volta", disse o diretor britânico, em tom quase ameaçador, no festival South by South West (SXSW).

Não dá para duvidar de um homem que está trazendo sua obra-prima, Blade Runner (1982), de volta para o futuro, mais precisamente 2049. O novo Blade Runner, estrelando Ryan Gosling, estreia este ano. Pelo jeito, a frase dita por Maximus a Commodus (Joaquin Phoenix, num de seus melhores papéis) sobre a certeza de ter vingada a morte de sua mulher e seu filho queimados vivos a mando do imperador ilegítimo “nesta vida ou numa outra” era pra valer. 

Descanso do guerreiro?

Após rejeitar o roteiro de Gladiador 2 feito por Nick Cave (sim, o cantor e compositor cult australiano que não saía das padarias da Vila Madalena, em São Paulo, no anos 90), Scott e Crowe, conterrâneo do músico com quem faz eventuais e improváveis jam sessions no outback, estão agora pensando  no retorno de Maximus mais como um deus da mitologia romana, em sua vida (ainda de guerreiro) depois da morte. 

Era mais ou menos isso que Cave imaginou. Mas foi além – muito além. Viajou pesado quando propôs que o gladiador virasse um imortal, uma espécie de Highlander sempre pronto para arrancar a espada do cinturão em diferentes épocas – dizem as más línguas, até a Segunda Guerra Mundial. Os estúdios de Hollywood acharam tudo isso pirado demais. Scott declarou que Cave fez uma boa história para ler, mas não dava pra filmar aquilo. 

Cave deu o troco dizendo à Variety que estava ocupado o bastante fazendo música e que a última coisa que queria nessa vida ou em outra era depender de cinema para ganhar o pão e que “ficar escrevendo roteiros para ter uma chance em 100 era uma fodástica perda de tempo”.  A ideia de Scott, segundo o Guardian, é, sim, deixar Maximus no plano dos deuses e até digladiar com o bélico-mor Marte em pessoa. 

Escócia livre

Outro de quem não se deve duvidar que é possível uma aparição – e com direito a Oscar –, é Mel Gibson. Máfia australiana? Escocesa, para melhor dizer. Gibson, que levou Oscar de Melhor Montagem por Até o Último Homem (Hacksaw Jig, 2016), sendo indicado também a Melhor Diretor, após uma década sem estar atrás das câmeras, está, digamos, antenado com os acontecimentos no calor do Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia). 

Mesmo oito séculos depois, a insurgência e a determinação da primeira ministra escocesa Nicola Sturgeon combina horrores com a insubordinação nacionalista de Wallace. Mesmo depois de decapitado pelos traidores e tiranos ingleses, o espírito do Coração Valente (Braveheart, 1995) de Gibson, reencarna num terreno fértil molhado pela chuva fina de Edimburgo – agora na figura do líder das guerras para a independência da Escócia, Robert de Bruce, vivido por Tom Hiddleston (Thor).  A direção ficará a cargo de David Mackenzie e o filme, uma produção da Sony Pictures e da Working Title (Quatro Casamentos e Um Funeral), já tem título: Lion Rampant.

Agora mexicano

Do pó vieste, ao pó voltarás. E se a quantidade de cocaína no sangue de Tony Montana fosse tanta que tivesse um efeito ressuscitador? Pois pode dar a ideia a Terence Winter (de O Lobo de Wall Street), a quem a Universal incumbiu de escrever o novo roteiro, baseado no original de Oliver Stone (1983) de Scarface. Se é Brian de Palma que vai dirigir? Não, é Antoine Fuqua (Dia de Treinamento). 

E Al Pacino, também volta? O veterano ator acha louvável a iniciativa de ressuscitar Montana e dar uma modernizada no personagem desde que ele mantenha sua M16 com lança- granada em riste.  “É o que fazemos em Hollywood. Refazemos as coisas”, filosofou ao Hollywood Reporter. Outra novidade: o gângster traficante será mexicano – e não cubano (uma homenagem à Era Trump?). 

Assista a um dos trailers de Blade Runner 2049: