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MÍDIA - 2016, o ano das ‘fake news’
Ter, 20 de Dezembro de 2016 18:08

Fachada do Google, em Londres: gigante das buscas promete ev...

(BR Press) - O ano de 2016 foi marcado pelas chamadas ‘fake news’ – notícias falsas espalhadas pela websfera, com a ajuda das redes sociais para replicarem numa velocidade assustadora. O Facebook, terreno mais fértil para as ‘fake news’, lançou, na última quinta-feira (14/12), plano para combater as notícias falsas, depois das infindáveis discussões de que a disseminação das fake news interferiram no resultado das eleições americanas. 

Além dos políticos, quem ganha com as fake news que geralmente têm conteúdo sensacionalista e viralizam são sites que se valem deste tipo de “notícias” para aumentar seu tráfego e receita de anúncios provenientes do Google Ads (o Google também já se pronunciou a respeito). E o público, na efemeridade típica das redes sociais, sai dando “like” e comentando todo tipo de conteúdo que vê pela frente.   

Putin e Trump 

Segundo o jornal The Guardian, o governo russo de Vladimir Putin e o presidente americano eleito Donald Trump se utilizam da prática de fabricar e espalhar notícias falsas em “escala industrial” para disseminar conteúdos de seu interesse. 

Nesta guerra de informação, onde a  propaganda não parece ter limites, o Guardian defende que mais do que nunca o jornalismo ético e profissional precisa ser valorizado visando o fortalecimento das instituições democráticas e o interesse público. 

‘Juizinho fajuto’

Mesmo depois de ter desmentido, em novembro, declarações atribuídas a ele sobre o ex-presidente Lula e a Lava Jato, este mês Gilberto Gil voltou a ser vítima da onda das ‘fake news’. Circula pelas redes sociais – especialmente pelo Facebook, com direito a comentários com xingamentos de leitores revoltados – uma “notícia” em que Gilberto Gil defende Lula e malha a Lava Jato


O título da matéria, publicada em 14/12/2016 pela Folha Digital (nada a ver com o Grupo Folha, que publica o jornal Folha de S. Paulo) e assinada por Nathalia Benjamin, coloca a seguinte frase na boca do cantor, compositor e ex-ministro da Cultura durante o governo Lula (2003-2008): “Lula lutou muito pelo Brasil, não merecia esse juizinho fajuto”, diz Gilberto Gil’

Contatada pela reportagem da BR Press, a assessoria de imprensa de Gilberto Gil reforçou a tese de se tratar de notícia falsa e ficou de comunicar se o artista pretende ou não tomar medidas legais cabíveis sobre a questão. Pelo Twitter, em 22/11/16, Gil disse: “MENTIRA! Ao longo dos últimos dias voltaram a circular notícias falsas sobre declarações atribuídas a Gil. Não acreditem em tudo o que leem.”

‘Fontes anônimas’

A “notícia” insinua que ele estaria defendendo Lula porque teria tido um “projeto de DVD aprovado pela Lei Rouanet baseado em seu atual show”, para produção do qual teria sido autorizado a captar cerca de R$ 500 mil, obtendo lucros com a venda do produto e os ingressos para o tal show. 

Também contatada pela reportagem da BR Press, até o momento, a Folha Digital, de propriedade da rede Pensa Brasil, com sede em Phoenix, Arizona (EUA), não se pronunciou a respeito deste conteúdo envolvendo Gilberto Gil. 

No site, a Folha Digital afirma ser “uma rede de sites” que veicula “matérias que são de origem jornalística ou não, através de informantes, fontes anônimas, agência de notícias, cidadão e outros que colaboram com nossa rede”. Ainda segundo o Quem Somos da Folha Digital, o “Pensa Brasil e sua rede tem como principio receber denúncias anônimas, sendo assim, garantimos o direito de sigilo das fontes.”

Selo de falso

De olho na sua própria credibilidade, o Facebook anunciou que irá limitar a difusão de notícias duvidosas através de marcações dos próprios usuários, os quais terão a opção de informar o site caso considerem que a notícia não seja verdadeira.

O Facebook terá ainda o auxílio de um software que individualizará as fake news para serem verificadas por jornalistas de fact checking (checagem de fatos), de empresas como a ABC News, Politifact, FactCheck e Snopes.  As notícias falsas aparecerão, então, com um símbolo de “contestada após verificação de terceiros”. 

O sistema do site ainda modificará seu algoritmo para evitar que esse tipo de matéria se espalhe rapidamente. Para ser considerada falsa, uma notícia terá que ser contestada por dois membros diferentes do grupo de analistas. 

Em uma crítica do jornal The New York Times ao Facebook, um dos casos lembrados foi uma notícia compartilhada por mais de um milhão de usuários, que anunciava que o Papa teria apoiado Donald Trump –  algo que nunca ocorreu.

Google agindo 

Num mundo de notícias dominado pela internet em que as empresas jornalísticas tradicionais e o trabalho do jornalista profissional segue cada vez mais desvalorizado monetariamente falando, o Google resolveu agir para evitar que seus sistemas de busca sigam disseminando notícias falsas. 

Executivos do gigante de buscas disseram ao Business Insider UK estarem “perturbados” pela maneira como os algoritmos do Google promovem conteúdo falso – como um site que nega a existência do Holocausto no topo das buscas sobre o tema. 

Desafio

O editor de Search Engine Land do Google Danny Sullivan emitiu um dos mais completos comunicados sobre fake news de que se tem notícia. Esse é o ponto em que o Google News é muito criticado por empresas jornalísticas tradicionais que se vêem provendo conteúdo praticamente de graça para o gigante da internet indexar e pulverizar a receita de publicidade entre, inclusive, sites de fake news. 

Sullivan disse que as notícias falsas são “um problema realmente desafiador e algo em que estamos pensando intensamente em como resolver ou melhorar”. Ele ressaltou que os resultados das buscas são reflexo do conteúdo disponível na internet e não informou quando e exatamente como o Google vai tentar impedir a indexação de notícias falsas. Checagem e selos de alerta também estão sendo cogitados.