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RIO 2016 - 'O Brasil não é mais uma referência no mundo do futebol'
Sex, 19 de Agosto de 2016 23:46

Edinho: Embaixador da Cruz Vermelha e diretor técnico da Go...

(Rio de Janeiro, BR Press) - Filho de Pelé e ex-goleiro do Santos – o mesmo time de onde saiu Neymar Jr. – Edinho,  conversou com exclusividade com a BR Press . O assunto não poderia ser outro: o futebol brasileiro na Rio 2016 e a pressão na qual se encontra a seleção brasileira masculina, que vai encarar a Alemanha na final da Rio 2016, neste sábado (20/08), às 17h30, no Maracanã. 

Atualmente técnico do Esporte Clube Água Santa (Diadema-SP), Edson Cholbi Nascimento possui uma trajetória marcante no esporte brasileiro, começando por ser filho de Edson Arantes do Nascimento, o rei Pelé. Antes de ser jogador de futebol, durante sua infância e adolescência, período em que morou em Nova York, nos EUA, Edinho praticou outros esportes nas categorias de base, como beisebol, basquete, futebol americano e hockey no gelo, entre outros. 

Nos EUA cursou até o High School, equivalente ao Ensino Médio no Brasil, quando, em seguida, voltou ao Brasil para tentar uma carreira profissional no esporte mais tradicional do seu país, seguindo os passos do seu avô Dondinho, seus tios Lima (o “Coringa” da Vila) e Davi (ex-Santos F.C e Cruzeiro) e, é claro, de seu pai, Pelé.

Tendo defendido as camisas do Santos Futebol Clube (1990-1991 e 1994-1998), Portuguesa Santista (1991-1992), São Caetano (1992-1993) e Ponte Preta (1998 e 1999), Edinho fez seu nome como goleiro, apesar de sua baixa estatura para a posição, com técnica e uma velocidade incríveis. Edinho brilhou nos campos, tornando-se um Ídolo no mesmo time em que seu pai fez história, conquistando o respeito e a admiração dos torcedores do seu clube e até dos torcedores dos times rivais.

Seu principal momento de destaque ocorreu pelo Santos, no Campeonato Brasileiro de 1995, quando sagrou-se vice-campeão. No mesmo ano esteve em campo numa das mais emblemáticas partidas da história do Santos, pós era Pelé, na vitória por 5 x 2 sobre o Fluminense, no Estádio do Pacaembu. O time da Vila Belmiro, liderado pelo meia-atacante Giovanni, reverteu a derrota sofrida na primeira partida, classificando-se para a final contra o Botafogo.

Depois de encerrar sua carreira como atleta, integrou-se à comissão técnica permanente do time profissional do Santos F.C, a convite do então treinador Vanderlei Luxemburgo. Entre os anos de 2007 e 2015, exerceu a função de auxiliar técnico e teve a oportunidade de trabalhar diretamente com alguns dos principais treinadores de futebol da era atual, tais como: Luxemburgo, Leão,Cuca, Vagner Mancini, Oswaldo de Oliveira, Muricy Ramalho e Dorival Jr.Ajudou a revelar e formar jovens talentos que passaram a brilhar nos cenários do futebol brasileiro e mundial, tais como Felipe Anderson (Lazio-Itália), Alan Patrick (Flamengo-Brasil), Neymar (Barcelona-Espanha), entre outros.

Sua primeira experiência como técnico profissional de futebol foi à frente do Mogi Mirim, em 2015. Agora no Água Santa, aos 45 anos, vem tend seu trabalho elogiado pelo presidente de clube: “O Edinho desenvolveu um trabalho muito bom no Santos na formação de atletas e é isso queremos aqui no Água. Vamos buscar uma integração entre os jovens talentos da base com os jogadores mais experientes e ele é a pessoa ideal para isso”, diz Paulo Siqueira.

Paralelamente ao trabalho dentro das quatro linhas, Edinho também atuou na área do marketing esportivo, realizando e promovendo eventos e competições como a Copa Pelé Pro de Supercross (Campeonato Brasileiro de Motocross – 2002) e o Circuito TNT de Futevôlei (2009-2012), maior torneio da modalidade já realizado no Brasil. Em 2016, Edinho aceitou o convite para ser diretor técnico da Go Cup,  maior torneio de futebol infantil da América Latina, realizado anualmente, com a próxima edição agendada para abril de 2017, em Goiânia-GO.

Além disso, Edinho foi nomeado Embaixador da Cruz Vermelha de projetos sociais para crianças no Brasil. A seguir ele fala sobre temas que estão  sendo discutidos nos quatro cantos do país-sede da Rio 2016 e no mundo do esporte: 

Acredita que a seleção masculina de futebol capitaneada por Neymar pode dar o ouro ao Brasil na Rio 2016?

Edinho - Acho que é muita pressão sobre o Neymar. No Barcelona, a participação do atleta é mais equilibrada em termos de compromissos e objetividade. Na seleção brasileira, ele tem muito mais responsabilidade e joga numa posição e de maneira diferentes. Isso não é exclusivo do Neymar. Os técnicos do time do Brasil utilizam o atleta de maneira diferente da que ele joga todos os dias no Barcelona. Na seleção tudo é diferente e acredito que isso mexe muito com a cabeça e o desempenho do atleta. 

Neymar é um dos atletas mais bem pagos do mundo [no Barcelona, ele ganha 28 milhões de euros – aproximadamente R$ 100 milhões – de salário por ano]. Muitos acham um exagero e até que superjogadores como ele esquecem do bom futebol quando alcançam esse patamar. O que você, conhecendo o mundo do esporte de dentro, diria sobre esse assunto?

Edinho -  Acho que o salário que ele ganha é merecido. Ele conquistou esse contrato, comprovando o que ele já fez e com base no que ele pode fazer. Existem dois momentos de Neymar: no Barcelona, onde ele tem tática e comportamento  estabelecidos dentro de um mesmo grupo, e na seleção brasileira, onde ele muda repentinamente a condição e a responsabilidade aumenta. Há outros fatores que devem ser considerados: a maturidade exigida dele como capitão do time do Brasil, acho que existem aspectos de comportamento, de conduta que independem de salário.

Como avalia a atual má fase do futebol profissional no Brasil?

Edinho - O Brasil está muito atrás ate de alguns países que não têm tanta tradição no futebol. Aqui, o mais importante são os investimentos nos talentos individuais. Não acha que tenha de ser só isso. Por isso, o Brasil não é mais uma referência no mundo do futebol a não ser nos talentos individuais. Isso tem de mudar para que o esporte ganhe novo fôlego. 

Como Embaixador da Cruz Vermelha de projetos sociais para crianças no Brasil, o que acha de projetos sociais de inclusão por meio do esporte como o Miratus, na favela do Chacrinha, no Rio, de onde saíram os dois primeiros atletas de badminton a representar o Brasil numa olimpíada (Lohaynny Vicente e Ygor Coelho)?

Edinho - O esporte e a disciplina que ele traz ajuda pessoas e solucionar problemas graves e sérios de vida. É uma forma de fazer mudanças numa sociedade tão desigual como a brasileira. O esporte cria um atalho e vai direto ao ponto (sem muita  burocracia) para ajudar as pessoas. Não conheco o projeto Miratus mas creio que seja parecido com o projeto que estou desenvolvendo em Diadema com a Cruz Vermelha, do qual tenho muito orgulho. Eu me dedico a isso com prazer. É um privilégio poder trabalhar com jovens em situação de risco social de forma correta e transparente, com honestidade. O mundo depende destas iniciativas para melhorar. 

Acredita que a inclusão social por meio do esporte pode se tornar uma política de estado no Brasil? Como e por quê?

Edinho - Por meio do esporte mostramos que há um futuro mais iluminado para crianças carentes e jovens. É uma ferramenta social maravilhosa. O esporte é o grande nivelador do ser humano, independe da raça, da religião e da condição social. Cresci num país onde o esporte existe para todas as crianças e é, para elas, muitas vezes, a única maneira de lazer e atividade coletiva. Para que o esporte ser aplicado como política pública o que é preciso acabar com a corrupção que atinge todas as esferas políticas no Brasil e melhorar os investimentos, assim como na saúde, na educação, e o mais importante: aumentar o potencial do esporte nas escolas, nas entidades sociais, nas confederacções, melhorar qualidade do trabalho de base dos treinadores, dos equipamentos esportivos.

Como diretor técnico da Go Cup, maior torneio de futebol infantil da América Latina, realizado anualmente, com a próxima edição agendada para abril de 2017, em Goiânia, o que poderia compartilhar conosco sobre histórias que ilustram a necessidade e os benefícios de o Brasil investir em esporte de maneira regular e efetiva? 

Edinho - Orgulho-me de fazer parte da Go Cup por ser uma referência para o esporte amador no Brasil e no futebol, principalmente nas categorias de base, na formação de atletas. Estamos buscando parceria com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), buscando forma de conduzir e gerir o futebol de base do nosso pais. Já estamos na 4a. edição do campeonato Go Cup e esperamos ter muito sucesso neste trabalho e tornar o Brasil novamente uma referência no futebol mundial.

Seu atual clube, o Água Santa possui um projeto social com mantendo escolinhas de futebol em Diadema, em São Paulo. Como você apoia e pretende dar mais visibilidade a este trabalho? Conte-nos sobre seu envolvimento com o projeto social e qual é, para você a maior recompensa com este trabalho? .

Edinho - Estou buscando formar uma equipe. Fizemos cinco partidas e temos muitas dificuldades financeiras. Com o projeto social que vem se desenvolvendo junto à Cruz Vermelha e com o Água Santa e a prefeitura de Diadema, trabalhamos para fortalecer o o vínculo entre o futebol e a vida de crianças cuja realidade é muito dura. Minha maior recompensa é ver a alegria de uma criançavoltar para jogar bola no sábado seguinte, ver o brilho nos seus olhos. Minha vida inteira foi pautada neste sonho e tenho uma gratidão enorme pela realização deste trabalho.  

FICHA TÉCNICA

Nome completo: Edson Cholbi Nascimento

Data de nascimento: 27 de agosto de 1970 (45 anos)

Local de nascimento: Santos (SP)

 

CARREIRA

Goleiro

1990-1991 - Santos Futebol Clube

1991-1992 - Portuguesa Santista

1992-1993 - São Caetano

1994-1998 – Santos Futebol Clube

1998 e 1999 - Ponte Preta

 

Auxiliar Técnico

2007-2015 - Santos F.C.

 

Técnico

2015 – Mogi Mirim

 

Outras atividades

Diretor técnico do Go Cup (2016/17)

Embaixador da Cruz Vermelha de projetos sociais para crianças no Brasil