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OLIMPÍADAS  - O sonho continua…
Dom, 12 de Agosto de 2012 18:06

Márcio Bernardes*/ Especial para BR Press

(Londres, BR Press) - Está passando o mesmo filme pela minha cabeça. Sentado na tribuna de imprensa do estádio de Wembley, penso as mesmas coisas de 1984 em Pasadena, Califórnia e 1988 em Seul.

   Em 84, o Brasil perdia por dois a zero para a França. As mesmas falhas dos jogadores daquela época foram repetidas aqui na Inglaterra.

   A diferença é que tomamos o primeiro gol do México numa falha do zagueiro Rafael e depois, na jogada, a falta de empenho de Sandro, que disputou a bola com pé de porcelana. Outra diferença foi o gol de Hulk, porque na Olimpíada dos Estados Unidos perdemos por dois a zero.

   Em 88, o placar foi idêntico, dois a um para a Rússia. E o sonho continuou.

   Como anteriormente, quando a França e a Rússia mereceram a medalha de ouro, aqui não se pode tirar o mérito do México. Eles jogaram melhor ou de forma mais eficiente.

   O Brasil foi mal escalado. Para que Alex e Sandro?Até a entrada de Hulk, o ataque estava inoperante. Neymar prendia demais a bola e Leandro Damião estava isolado na frente.

  Agora é discutir o futuro. E esse futuro está ai. No próximo ano tem a Copa das Confederações e, em 2014, a Copa do Mundo.

   Esse grupo atual, que com mais duas ou três peças acima de 23 anos, vai defender o Brasil. Não se sabe, ainda, se com ou sem Mano Menezes. O futuro dele será decidido em breve.

   Enquanto isso, o vôlei feminino ganha a sua segunda medalha olímpica de forma espetacular. Depois de um começo claudicante o time melhorou, se superou e venceu de forma incontestável as favoritas norte-americanas.

   Para nós que estamos há tanto tempo aqui em Londres, a tarde de sábado foi uma ducha de água fria. Mas o começo da noite trouxe a recompensa da esperança e dos destemidos. Ou melhor, das destemidas.

   No futebol, vamos continuar sonhando com a medalha de ouro que até hoje não ganhamos. No vôlei - santa competência! - vamos sonhar com a terceira conquista, que pode ser daqui a quatro anos, no Rio de Janeiro.

OLÍMPICAS

2016

      O COB é dirigido por gente experiente e que conhece a fundo o esporte olímpico. Esse pessoal sabe que os craques olímpicos de 2016 já estão sendo treinados há pelo menos oito anos. Tomara que o trabalho das confederações esteja sendo eficiente. Ninguém deve se iludir que a partir de agora se formará um novo grande atleta dentro desse período tão curto de quatro anos.

Vaias

   Joseph Blatter, depois das vaias recebidas na premiação do futebol feminino, preferiu não se expor na final do masculino. As medalhas foram entregues por Olegário Vazquez Rana, do México, Lydia Nsekera, do Burundi e Marisol Casado, da Espanha. O presidente da Fifa engoliu seco e não passou recibo. Preferiu ficar na tribuna.

Rio

  Depois da Olimpíada, acontecerá no Rio de Janeiro uma reunião entre o COB e as Confederações. A verba do Governo Federal e dos patrocinadores para o próximo período olímpico será distribuída na medida em que a modalidade tiver mais chances de conquistar medalhas. Natação, boxe, judô, vôlei, ginástica e atletismo estão na linha de frente dos investimentos.


Bolt 

  Usain Bolt continua na sua cruzada auto-promocional, atraindo as atenções da mídia e de todos aqui em Londres. Ele garante que é o bambambã, mas “humildemente”não se compara a Pelé e Cassyus Clay (ou Muhammad Ali). Sozinho, Bolt vai ganhar mais medalhas do que dezenas de países que vieram à Inglaterra.

FRASES

   “Vocês podem esperar; a verdadeira fera da família está vindo aí”.
Esquiva Falcão, falando do irmão caçula Fred, de 15 anos, que está sendo preparado para o Rio-2016.

   “Será a glória”.
Ricardinho, do vôlei, imaginando uma medalha de ouro neste domingo.

   “A China prepara jovens para ganhar medalhas e mostrar força internacional e não dissemina o esporte como fonte de saúde para a juventude”.
Integrante do Comitê Olímpico norte-americano, que pediu anonimato.

   “O basquete masculino do Brasil vai embora orgulhoso e com a missão cumprida”.
Rubén Magnano, técnico da seleção, que não ficou chateado por não ter conquistado nenhuma medalha.

TOQUE FINAL

    É sempre um grande prazer encontrar Joaquim Cruz. Sorridente e humilde, ele me disse que está trabalhando para o Comitê Olímpico dos Estados Unidos. Além de supervisionar o treino das mulheres árabes que, por sinal, competiram usando o véu islâmico.
   Perguntei-lhe a razão de ele não trabalhar na Confederação Brasileira de Atletismo. Sem querer abrir polêmica, ele disse que está coordenando um projeto para revelar crianças carentes e esportistas, mas que gostaria de fazer um trabalho mais formal e orientar a montagem de uma estrutura para o esporte em todo o Brasil.
   Cruz é um candango gente boa, que desbancou Sebastian Coe, em 1984, na Olimpíada de Los Angeles. De lá pra cá, sempre que encontro com ele, brinco e agradeço por eu ter vencido uma aposta com um jornalista inglês.
   O favoritismo de Coe era muito grande. Aliás, ele já havia vencido a prova dos 800m rasos na Olimpíada anterior, em Moscou. No Centro de Imprensa, o jornalista me desafiou e apostamos U$ 100.
   Por isso é que eu digo para Cruz que preciso pagar-lhe um café, como gesto de agradecimento. E ele sorri envergonhado.
   Está ai mais um que pode ajudar. E quer ajudar! Com a palavra a  Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

(*) Comentarista veterano de esportes, com diversas Copas e quatro Olimpíadas no currículo, Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, professor universitário e colunista da BR Press. Fale com ele pelo email Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , pelo Twitter @brpress e/ou Facebook.