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RIO 2016 - Com altos e baixos, ginástica brasileira encanta Comaneci
Seg, 08 de Agosto de 2016 14:57

Equipe brasileira de ginástica artística mostra união na ...

(Rio de Janeiro, BR Press) - A música brasileira parece ser mesmo a tônica da Rio 2016. E não estamos falando somente da trilha sonora óbvia da abertura dos Jogos Olímpicos, em 05 de agosto. A estrela da ginástica americana, Simone Biles escolheu Mas que Nada, de Sergio Mendes, na versão mais que groovy do Black Eyed Peas, para sua apresentação que deixou o público de boca aberta. Mas foi a inesperada caída da bunda de Daniele Hypólito ao som de Anitta que começou o festival de aplausos para o time brasileiro de ginástica artística –  que garantiu uma vaga na final, que será disputada na terça-feira (09/08), às 16h. 

Daniele Hypólito, a mais velha das ginastas, com 31 anos, e a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro para o Brasil na ginástica artística em 2011, pediu desculpas pelo tombo durante o “Show das Poderosas” – (ela chegou a ensaiar sua coreografia de solo com a cantora Anitta) e foi consolada nas redes sociais. Depois, chateada com as críticas da mídia, desabafou: “Vocês só falam da queda”. Em compensação, Flavia Saraiva deu um show na trave, ganhando a a segunda melhor nota e aumentando as chances de medalha.

Palavra de Comaneci

Comentando para a SportTV, no programa "É Campeão", ao lado do americano Mark Spitz (natação), do cubano Javier Sotomayor (salto em altura) e do brasileiro Carlão (vôlei), Nadia Comaneci, a eterna campeã romena de ginástica artística hoje com 54 anos, destacou o comportamento da "xodó" da torcida brasileira, “Flavinha” – a garota de 16 anos e 1.33m que ganhou três medalhas no 2014 Youth Olympic Games, em Nanjing. Nadia disse ter conhecido Flavia em 2015 e previu que ela seria uma estrela na Olimpíada do Rio de Janeiro.                 

“Eu vi Flavia Saraiva, quando ela esteve nos Commonwealth Games de Glasgow, em 2014, e disse que ela seria uma estrela no Brasil, nos Jogos Olímpicos do Rio. E ela ficou em segundo lugar na trave – uma excelente colocação”, reforçou Comaneci. “Estou encantada também com outra brasileira: Rebeca Andrade. Ela foi à Oklahoma (EUA) competir na competição que leva meu nome e ficou em 4o. lugar na individual geral, um resultado incrível”. Ao som de Beyoncé, foi Rebeca que ajudou o time brasileiro a ficar em quarto lugar por equipes, o que pode garantir mais brilho para o Brasil.

Romênia solo

Com apenas uma ginasta romena competindo na Rio 2016 – Catalina Ponor, Nadia Comaneci resolveu “adotar” as brasileiras como favoritas. É claro que a campeã-mor reconhece a supremacia da equipe dos EUA. Principal nome da ginástica mundial, a americana Simone Biles, de 19 anos, arrasou na Arena Olímpica do Rio, no último domingo (07/08), para participar das classificatórias por equipes. Sua precisão intimidou todas que vieram depois, inclusive a equipe brasileira, que também destacou Jade Barbosa.

“É claro que eu acompanho Simone. Ela tem dominado o mundo da ginástica nos últimos dois anos – exceto nas barras assimétricas. Em todas as demais modalidades  (solo, salto, trave, etc), Biles é a melhor”, afirmou Comaneci. “Ela adiciona muitos elementos de dificuldade em tudo que faz, mas parece que não percebe isso. É arrebatadora”. 

Nadia comentou também sobre a importância do trabalho em equipe. “Somos como irmãs – vivemos juntas e treinamos juntas. Todas as minhas amigas até hoje são da ginástica. Ao competir, isso é muito importante para apoiarmos umas às outras – o modo como a competição começa é importante e a amizade é tão importante como o revezamento”. Nadia tem 1500 alunas na academia dela em Oklahoma – a maioria meninas. “A ginástica é base para todos os outros esportes – Carl Lewis foi ginasta”. 

Ginasta de 41 anos?

Comaneci também comentou sobre saber a hora de parar e o assunto levou à ginasta uzbeque Oxana Chusovitina, de 41 anos, a mais velha em atividade, competindo no Rio e prometendo fazer o Produnova – o salto mais perigoso da ginástica artística, que nem a equipe americana ousa fazer.  Se não soubesse esse que ela tem 41 anos diria que seria impossível. Ela competiu em sete jogos olímpicos, pela ex-União Soviética e pela ex-Alemanha Oriental. Oxana diz que vai fazer um salto que é difícil para uma ginasta de 15 anos. Espero ver esta mulher fantástica fazer essa prova impressionante – estar nas olimpíadas há 28 anos é como um sonho! Na minha época, a gente encerrava a carreira aos 22 anos.”

E como é se aposentar de algo que ama e  consome sua vida? É possível ser feliz sem a ginástica? “Sim. Eu me lembro quando me aposentei, em 1984. Quando cheguei à final não acreditei e comecei a chorar – é como se alguém estivesse morrido. ‘O que será de mim sem as barras?’, eu pensava. Mas gosto da ideia de ter me aposentado enquanto ainda estava no auge. É importante abrir espaço para novas gerações. Nunca imaginei que faria história. Amei ter sido aquela ginasta que inspirou tantas outras meninas”, finaliza Comaneci. 

Tulipa Negra

Ironia ou não do destino, 2016 marca 40 anos da apresentação com que Nadia Comaneci ganhou o mundo nos Jogos de Montreal – além de cinco medalhas olímpicas, três delas de ouro, e conseguiu uma até então inédita nota 10. A Romênia, seu país e potência na ginástica artística – com 72 medalhas no esporte, sendo 25 de ouro – não se classificou como equipe para disputar os Jogos do Rio. Apenas Catalina Ponor – apelidada de Tulipa Negra – se classificou para as provas individuais.  E está curtindo de montão no Rio (a julgar pelas fotos em suas redes sociais), mesmo tendo sido a grande rival de Daiane dos Santos em Pequim. Em Londres, Ponor pretendia se aposentar. Desistiu e, destemida, partiu para mais uma olimpíada.

Comaneci, para quem a situação da Romênia na Rio 2016 pode servir como uma chance preciosa de mudanças, admitiu em entrevista coletiva: “Terei um nó na garganta quando ver a competição por equipes sem a Romênia. Mas essa Olimpíada precisa servir de exemplo para repensemos nossa preparação de atletas. Catalina não vai durar para sempre e nem pode fazer tudo sozinha”. Mas se ela levar uma medalha para casa, o trauma romeno, parecido com o 7 a 1 de Brasil e Alemanha na Copa 2014 (que parece longe de ser expurgado), a Romênia pode voltar a sorrir – ainda que não eternamente. 

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