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MODA - Riachuelo leva fast fashion a 23 mi
Seg, 06 de Julho de 2015 18:57

Flávio Richa e Donatella Versace, em 2014, no lançamento d...

(São Paulo. BR Press) - Um auditório lotado e mais uma sala de reuniões da Federação das Indústrias de Estado de São Paulo (Fiesp) com disputadas cadeiras somaram mais de 300 pessoas interessadas na trajetória de sucesso de Flávio Rocha e da Riachuelo, empresa da qual é CEO. A palestra foi promovida pelo Comitê dos Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, e teve público recorde, movido pela curiosidade e admiração na marca mais valiosa do vestuário brasileiro (em 2013. segundo a Brand Finance Brasil), com faturamento anual de R$ 4,5 bilhões, sendo a varejista que mais cresce no Brasil.

Empreendedores, startupeiros, empresários, profissionais da moda e até consumidores, fãs da loja, se encantaram com a história de pioneirismo e ousadia da Riachuelo, cuja missão é levar às massas as delícias do fast fashion (pouco se falou sobre suas dores, como o apelo ao consumismo e a em geral pouca preocupação com a sustentabilidade deste modelo de negócios governado pela agilidade de produção e o constante oferecimento de novidades a preços competitivos). O fato é que fica difícil remar contra a maré de sucesso da Riachuelo e a energia propulsora do timoneiro desse barco.

Ferramenta de inclusão

“A moda melhora a vida das pessoas, proporcionando elevação da auto-estima e um up na imagem e, consequentemente, melhora as relações pessoais e profissionais”, acredita Flávio Rocha. “Mas moda sempre foi uma ferramenta de exclusão, de gente de nariz empinado. A Riachuelo descobriu que pode fazer da moda uma ferramenta de inclusão, de democratização e de proposta de valorização do cliente”, ressalta, mesclando a retórica política que lhe valeu dois mandatos como deputado federal (Partido Liberal, entre 1987-1991 e 1991-1995,  quando foi o mais votado no Rio Grande do Norte para a legislatura).

“Aprendi muito com esta experiência”, admite. Flávio Rocha chegou a ser convidado por Eduardo Campos para integrar o PSB e até cogitou candidatar-se ao Senado pelo RN, mas não levou o projeto adiante. “Quero focar somente na missão da Riachuelo”, ressalta.

Zara e H&M

Trata-se de uma empresa cuja escala pode ser comparada às gigantes globais do mercado como Zara (na qual se inspirou) e H&M, em termos locais. São 22 mil funcionários somente na operação de varejo (lojas), num total de 40 mil “colaboradores”, como Flávio Rocha prefere definir (incluindo as áreas têxtil, de confecção – herença da Guararapes Confecções, dona do maior polo têxtil da América Latina, em Natal, que abastecia 10 mil lojistas) – e logística.

E ainda há o braço financeiro do grupo: cerca de 23 milhões de brasileiros possuem o cartão Riachuelo – o primeiro private label de uma loja que vai ser co-branded, ou seja, compartilhar sua marca com uma bandeira de cartões de crédito, para valer como um cartão de crédito comum. 

Nada mal para um grupo que chegou a iniciar um processo de concordata nos anos 80, devido à scensão das vendas informais. 

Apple da moda

Afeito a inovações – e isso está no DNA da loja A Capital, fundada em Natal, em 1947 –, Flávio Rocha enche a boca para falar que a Riachuelo pretende ser a Apple da moda”. O empresário diz  isso com muita modéstia (apesar de soar o contrário) e aquela tranquilidade que o sotaque nordestino parece agravar, adicionando ainda mais simplicidade e simpatia à figura do dono de um negócio avaliado em R$ 7 bilhões.

São muitas histórias, como origem na indústria têxtil – ainda parte significativa das operações –,“uma cadeia longa e pontuada por conflitos”, observa Flávio, que tem Capitalismo Consciente - Como Liberar o Espírito Heroico Dos Negócios, de John Mackey, um dos fundadores do Whole Foods Market, e Raj Sisodia, professor de marketing da Universidade de Bentley (sobre a importância da dedicação dos líderes e do comprometimento dos demais profissionais com essa proposta inovadora) como seu livro de cabeceira e se surpreende "com a melhora das condições de trabalho na China nos últimos anos" (a Riachuelo terceiriza lá e tem escritório em Shangai).

“Muito antes de a H&M fazer parceria com Karl Lagerfeld, em 2000, a Riachuelo já apostara em coleções assinadas pelo estilista brasileiro Ney Galvão, que teve a ousadia de colocar sua criação a serviço de milhões de pessoas”, lembra Flávio, depois de exibir um vídeo institucional sensacional sobre a empresa. A Riachuelo fez história mais uma vez no encerramento da SP Fashion Week de 2014, apresentando a coleção em parceria com a Versace. Em 2013, fez o mesmo com a Daslu. Grandes estilistas e marcas, transformando-os em nomes acessíveis.

Moda para todos

”Ousamos quebrar as camadas da pirâmide da segmentação. Acreditamos que nosso modelo de negócios tem apelo de A a Z e que as aspirações estão muito heterogêneas e massificadas por consequência da globalização”. Flávio não está errado. A prova disso é que a Riachuelo inaugurou uma loja na Oscar Freire, em São Paulo, e outra numa espécie de Rua Direita, no Recife. Ambas seguem bombando.  “Queremos derrubar as barreiras socioeconômicas para os sonhos. Nos próximos cinco anos vamos duplicar a quantidade de lojas, que hoje é de 270”, anuncia, animado. 

O conceito da Riachuelo foi total e dolorosamente reinventado. Toda a operação foi repensada depois que Flávio estudou em Harvard. Já a grande inovação n'A Capital nasceu quase que por acaso, quando o pai de Flávio começou a vender camisas prontas para homens, em 1979. Daí para a revolução da loja sem balcão foi um pulo. Em 1983, começou a surgir lampejos do que é considerado o modelo de “moda para todos”. O fato é que a Riachuelo soube se reinventar. “Não há como não ser otimista e não investir num mercado onde há tanto por fazer como o varejo no Brasil”, finaliza Flávio Rocha.

(Juliana Resende/BR Press)

Assista ao vídeo do making of da campanha da coleção Outono 2015 da Riachuelo, rodada em Los Angeles: