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DROGAS/LIVRO - Sociedade fissurada
Qui, 08 de Agosto de 2013 19:57

Marcia Tiburi é coautora do livro Sociedade Fissurada. Foto...

(BR Press) - Em Sociedade Fissurada (Ed. Civilização Brasileira, 304 págs., R$ 29,90), a filósofa Marcia Tiburi e a psicóloga Andréa Costa Dias tratam da questão do uso contemporâneo das drogas na sociedade ocidental, especialmente no Brasil. Partindo do pressuposto de que o tema é um tabu, as autoras buscam abordá-lo por vias que não tendam a cair em juizos de valor moralistas e superficiais.

    Segundo as autoras, o objetivo do livro é "olhar para o tema de frente, com sinceridade e honestidade, conscientes de que a violação de um tabu não se dá sem que o próprio violador seja ele mesmo transformado em tabu. Em outras palavras, assumimos o risco de, ao procurarmos desmitificar as drogas como objeto-tabu, sermos acusadas de realizar apologia. Nada mais previsível. O perigo, se de fato há, vale a pena quando se quer abrir o jogo da caça as bruxas que alimenta o poder", explicam.

Vícios
     
   

Com argumentos sólidos e contundentes, elas afirmam que, nas sociedades modernas, todos somos viciados, não só em cigarros, bebidas, remédios ou maconha, mas em choques de sensações fortes, em emoções sensacionais. Há nisto um fanatismo e uma devoção, pois faz parte da dinâmica do capitalismo espetacular, na qual  "o capital é a religião, o novo ópio do povo". E o capital quer o vício de todos os consumidores em suas mercadorias.

Diferentemente dos usos, os consumos urgem como uma mania de emoções em que os objetos se tornam fins em si mesmos, em que a subjetividade perde seu sentido no apego apaixonado e desesperado pelo objeto do desejo, obcecado pelo mundo "virtual", como parte essencial de um mundo cada vez mais "fissurado" por alimentos, drogas, carros, roupas, telas, religiões, paixões, sexo.

    Marcia Tiburi é graduada em Artes e doutora em Filosofia. É professora do programa de pós-graduação em Arte, Educação e História da Cultura da Universidade Mackenzie,  e colunista da revista Cult. Autora de vários livros de filosofia, entre eles Filosofia em comum (Record, 2008), Filosofia brincante (Record, 2010), Diálogo/Desenho (SENAC, 2010), Diálogo/Dança e Diálogo/Fotografia (SENAC, 2012), e de Olho de vidro - A televisão e o estado de exceção da imagem (Record, 2011). 

    Andréa Costa Dias é docente do Centro Regional de Referência para a formação permanente de profissionais da rede de atenção a usuários de crack e outras drogas (CRR-IFPB). Trabalhou durante oito anos em ambulatório público para tratamento de dependentes químicos e atende em seu consultório particular.