WIKILEAKS - O quer o Equador com asilo a Assange?
Qui, 16 de Agosto de 2012 19:25

Equador concede asilo a Julian Assange, fundador do WikiLeak...

Isaac Bigio*/Especial para BR Press

(Londres, BR Press) - Quase dois meses depois que o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, pediu asilo na embaixada equatoriana de Londres, o presidente Rafael Correa aceitou formalmente conceder-lhe o direito de asilo em seu país.

Para Quito, esta é uma medida com tripla intenção política. Correa, que em casa tem sido acusado de intimidar a imprensa opositora, pode aparecer como um campeão global da liberdade de imprensa e um paladino na luta contra os poderosos que ocultam uma livre informação a seus povos.

O presidente equatoriano quer mostrar um protagonismo internacional, afirmando um caráter crítico de sua república a nível internacional. Ainda que o Equador tenha a única economia dolarizada da América do Sul e seu executivo venha sendo questionado por sindicatos e indígenas por represálias, Correa deseja projetar-se como o novo líder do "socialismo latino-americano do século XXI", capaz de ter suas próprias iniciativas, independentemente de Caracas.

Contradições

Correa pretende desnudar contradições na política externa das potências anglo-saxãs, que organizaram "bombardeios pela liberdade" na Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e Líbia (e agora financiam os rebeldes sírios), enquanto que penalizam o homem que vem revelando documentos secretos que evidenciam planos de cúpulas para fomentar guerras, conspirações e golpes.

O Reino Unido, por sua parte, rechaçou este intento de asilo argumentando que Assange deve ser entregue à Suécia, onde duas mulheres anônimas o acusam de maus tratos sexuais. No entanto, os partidários de Assange afirmam que isto é um artifício para denegrir seu caráter e desmoralizá-lo com a prisão, enquanto os EUA se empenham para que seja transferido a este país, onde poderia ser condenado, por espionagem, à prisão perpétua ou à pena de morte.

Oposição

William Hague, o chanceler britânico, afirma que é inadimissível que o Equador impeça o curso da justiça criminal e sustenta que seu país não permitirá nenhum salvo-conduto para que Assange viaje da embaixada equatoriana em Londres até um aeroporto. Além disso, poderia aplicar uma lei de 1987 que permitiria suspender o caráter diplomático de qualquer recinto para mandar a polícia deter Assange.

Tiudo indica que a pequena embaixada equatoriana (que várias vezes este colunista visitou e percorreu de ponta a ponta em apenas três minutos), continuará fortemente policiada e rodeada de piqueteiros. Há poucas horas, três manifestantes pró Assange foram detidos pela Scotland Yard.

Paradoxalmente, o pequeno departamento que constitui essa embaixada olha de frente para a enorme construção que abriga a Harrods, a maior loja de luxo da Inglaterra, que agora se orgulha de ser propriedade de milionários do Qatar, o reino teocrático que reprime protestos pró-democracia no Bahrein e vem financiando terroristas fundamentalistas islâmicos.

(*) Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics. É um dos analistas políticos latino-americanos mais publicados do mundo. Fale com ele pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , pelo Twitter @brpress e/ou no Facebook. Tradução: Angélica Campos/BR Press.