OLIMPÍADAS - Londres olímpica
Sex, 27 de Julho de 2012 15:09


Londres está muito transformada, pois há muita gente e novos edifícios, novos avisos e até novas vias de trânsito, construídas especialmente  para as Olimpíadas.

Nos últimos dias, foram inauguradas duas grandes obras que mostram o crescente poder dos árabes na capital deste império que os dominou  até quatro décadas atrás. Uma é a pirâmide da ponte de Londres, o edifício mais alto do país, e o outro é o cabo de transporte aéreo que une as duas margens do rio Tâmisa, Este último leva o nome e o logotipo da Emirates, a linha aérea dos Emirados Árabes Unidos, que também é dona do novo estádio do Arsenal, o popular time de futebol que representa o norte de Londres, cuja camisa também leva tal insígnia e cuja bandeira branca e vermelha é tão parecida  com a peruana.

Esta crescente influência da arquitetura e o poder econômico dos autocráticos petromonarcas do Golfo Pérsico é algo que preocupa muitos londrinos, não apenas pelas modificações do estilo tradicional numa cidade cheia de casas antigas e com poucos edifícios (mudanças estas que agora abrem caminho para os arranha-céus construídos com aço e vidro  espelhado, construções luxuosas que, por sua vez, encarecem terrenos e afetam os bairros latinos e multiétnicos,  obrigando seus residentes tradicionais a sair dali), mas também pelas implicâncias políticas, econômicas e militares, que fizeram com que o Reino Unido perdessem centenas de soldados e bilhões de dólares nas guerras do Afeganistão, Iraque e Líbia, onde a monarquia britânica se aliou a outras do mundo árabe.

Numa reunião  neste mês,  Boris Johnson, o prefeito de Londres recentemente  reeleito, foi questionado pelo moderador do evento sobre a real necessidade deste novo transporte por cabo, considerado um pouco elitista.

Ao mesmo tempo em que se iniciam as Olimpíadas, aumenta o intervencionismo britânico na Síria o que, acrescenta problemas de segurança ao evento, levando a um questionamento das medidas de proteção e fazendo com que a cidade pareça  tão  cheia de policiais como este articulista, nos últimos 25 anos, jamais viu.


(*) Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics. É um dos analistas políticos latino-americanos mais publicados do mundo. Fale com ele pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , pelo Twitter @brpress e/ou no Facebook. Tradução: Angélica Campos/BR Press.