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AMBIENTE - Rio +20: balanço 'verde' no vermelho
Seg, 25 de Junho de 2012 12:23

Rio+20 deixa de reconhecer a urgência da crise dos oceanos....

(Rio de Janeiro, BR Press) - "Não conseguimos O Futuro Que Queremos [nome do documento final da Rio+20] porque não temos os líderes que precisamos". Essa é opinão do diretor-executivo do Greenpeace International, Kumi Naidoo. Para ele, "os líderes dos países mais poderosos mostraram que querem continuar como estão, vergonhosamente colocando o lucro privado antes das pessoas e do planeta". 

    A ONG ambiental foi uma implacável crítica e oponente das Nações Unidas na Rio+20. E a princial razão é a falta de  resultados e objetividade das diretrizes deliberadas na conferência, por conta dos interesses supostamente escusos e da complacência da cúpula oficial – leia-se as 192 nações signatárias do documento final da conferência, intitulado O Futuro Que Queremos.

    "Avançamos pouco no sentido do futuro que queremos", insistiu o diretor do Greenpeace. "Prometeram-nos uma coisa e agora querem que aceitemos uma 'visão coletiva', sob a ótica dos poluidores, de um texto que vai cozinhar o planeta, esvaziar os oceanos e acabar com as florestas tropicais".
    Para o Greenpeace, o único projeto  capaz de fazer alguma diferença lançado na Rio+20 foi o Plano de Resgate dos Oceanos (Oceans Rescue Plan for the High Seas). No entanto, também foi derrotado pelos EUA, Canadá, Rússia e Venezuela.

    Conheça, a seguir, os pontos mais polêmicos da Rio+20, na opinião do Greenpeace.

OCEANOS

     O parágrafo do documento sobre o novo compromisso em alto mar deixa de reconhecer a urgência da crise dos oceanos, adiando qualquer decisão para possíveis ações a serem tomadas até 2014. Mesmo assim, não há garantia de negociar um novo acordo capaz de virar a maré da exploração não sustentável dos oceanos.O texto agora favorece a posição destrutiva dos EUA, Canadá e Venezuela.

SDGs (Sustainable Development Goals) Ações de Desenvolvimento Sustentável

    Governos conseguiram concordar que pode ser uma boa idéia introduzir SDGs que são universais nas Metas do Milênio. Mas não conseguiram apontar quais serão estas ações, deixando para futuras discussões.

VERBAS / MEIOS DE IMPLEMENTAÇÃO

    Não há recursos. Apenas promessas de apoio aos países em desenvolvimento. E isso mostra uma falha dos governos em colocar em ação um prometido "novo sistema financeiro". Para o Greenpeace, o fato de os governos não aderirem à proposta de taxar transações financeiras para o fundo ambiental mostra pouco comprometimento com a questão.

QUADRO INTERNACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

    O documento não consegue criar as instituições necessárias para finalmente entregar o desenvolvimento sustentável. Os governos não conseguiram transformar o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP - United Nations Environment Program) numa Agência de pleno direito, apesar de forte apoio da UE e África. Há vontade política para designar dinheiro e poder para a UNEP, mas é insuficiente para que o meio ambiente tenha a voz global que necessita.

    Há um compromisso para, eventualmente, substituir a Comissão para o Desenvolvimento Sustentável. Mas, em vez de criar uma nova entidade para o Desenvolvimento Sustentável, no Rio, foi lançado um processo que pode resultar em longos debates pouco efetivos.

ECONOMIA VERDE

    A seção de economia verde é desprovida de significado. Descreve apenas princípios muito gerais. Os países são livres para definir para si o que é verde e que não é, e são livres para simplesmente não fazer nada. Mesmo o mecanismo de desenvolvimento de capacidades para uma economia verde proposto pela UE foi eliminada.
   
    A Agenda 21, acordo de 20 anos atrás, tinha mais ingredientes de uma economia verde que o documento da Rio+20.

FLORESTAS

    Segundo o Greenpeace, o texto das florestas é uma "vergonha imensa" pois "não há simplesmente nada lá".

ENERGIA

    Não há novas metas para as energias renováveis e no campo. No  Ano de Energia Sustentável para Todos, esta conferência internacional nada  oferece para os 1,4 bilhão de pessoas sem acesso à energia e cujas necessidades podem e devem ser atendidas por energia renovável.

SUBSÍDIOS AOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

   Não há compromisso para eliminar subsídios aos combustíveis fósseis no documento. Os governos  lutaram arduamente sobre um texto que, para as pessoas e o planeta, é, simplesmente,  sem sentido. Para o Greenpeace, "este é um dos exemplos mais claros de que os governos estão ouvindo os poluidores e não as pessoas."