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LIVRO - Meio ambiente para ler
Qua, 14 de Março de 2012 22:21

(BR Press) - O título já diz tudo: Os 50 + Importantes Livros em Sustentabilidade (Editora Peirópolis, 272 págs., R$ 30,00). A publicação, recém-lançada no Brasil, resume os 50 livros mais relevantes em sustentabilidade escritos nas últimas décadas, segundo três mil alunos e pesquisadores da Universidade de Cambridge (uma das mais prestigiadas insituições de ensino do mundo).

    O lançamento reuniu mais de 500 pesquisadores, professores e alunos na Fundação Getúlio Vargas, na última segunda (12/03). O evento é mais um sinal de que os tambores estão esquentando. Afinal, estamos a 100 dias para o começo da Conferência Internacional Rio + 20, marcada para 13 a 22 de junho.

    A ideia de condensar diversas reflexões e propostas variadas sobre economia verde, tema definido como central pela ONU para a Rio + 20, vem a calhar num momento em que mais "leigos" buscam informações para se posicionar diante de assuntos e decisões-chave sobre questões que vão afetar a todos – direta ou indiretamente.

Código Florestal e agrotóxicos

    Exemplos? A controvertida nova versão do Código Florestal brasileiro, redigida pelo Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, e o excesso de agrotóxicos na agricultura do Brasil. Ao atingir a cifra de US$ 7 bilhões ao ano em consumo de "defensivos" agrícolas, o país consagrou-se campeão por dois anos consecutivos na categoria, ultrapassando a posição tradicional até então dos EUA.
 
    Também nos circunspectos centros de pesquisa, nas universidades de primeira linha e até no Congresso Nacional, já circulam dezenas de relatórios com millhares de dados acumulados – muitos polêmicos – e uma saraivada de propostas.

    A Fundação Getúlio Vargas já tomou a iniciativa. Seu centro de estudos de sustentabilidade, o GVces, formado em 2003, está na linha de frente nas tentativas de conciliar lucros de curto e médio prazo das empresas com responsabilidade a longo prazo com o meio ambiente.

Desafios
 
    Da Inglaterra, o autor e coordenador da publicação, Wayne Visser, afirma que o Brasil já está imerso nas discussões internacionais sobre tais questões. "Se quisermos efetivamente criar um futuro sustentável (o que até agora não estamos conseguindo fazer), teremos de compartilhar e aplicar em cada país as melhores ideias dos líderes pensadores de todo o mundo.

    Para Visser, "os desafios são enormes e o tempo curto para resolvê-los". O motivo é simples assim: "Não podemos nos dar ao luxo de perder tempo e esforços repetindo erros ou reinventando ideias de outros".  Visser, professor sênior do Programa de Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, é autor prestigiado de mais de 13 livros sobre tais questões e diretor da CSR International, centro inglês de pesquisas na área de meio ambiente.
 
    "A Inglaterra tem sido a referência de produção do conhecimento sobre meio ambiente", aponta Eduardo Jorge, secretário do Verde e Meio Ambiente do municipio de São Paulo.

    Isso é possível confirmar, pois a maioria dos autores dos livros apontados como os mais relevantes na questão ambiental são ingleses. "A mesma Inglaterra responsável pela Revolução Industrial é agora quem está na linha de frente das questões ambientais", observa o secretário.
 
Consciência

    "Para falar de sustentabilidade é preciso falar de consciência", afirma, categórica, Beth Feffer, presidente do Instituto Jatobás, que optou pela publicação desse livro como o primeiro de seu selo editorial.

    "Quem dera", especula Feffer, " pudéssemos estar dentro da nave espacial do astronauta americano Edgar Mitchell na missão Apolo 14, quando ele viu a Terra do espaço e deu-se conta de que esse planeta luminoso era a nossa 'casa',  o lar de 7 bilhões de humanos e trilhões de outras formas de vida, todas interligadas".

    Feffer aponta que ele "lamentou constatar que a base da vida estava sendo destruída neste planeta que, apesar de tudo que abriga, a ninguém pertence". "Fomos como cientistas; voltamos como humanistas", observou o astronauta.
 
Corações e mentes

    "O ambientalismo convencional não foi capaz de tocar 'corações e mentes' ", ressalva Rachel Birdeman, ambientalista, consultora em sustentabilidade, saudada como a 'estrela' das palestras do evento. Para Birdeman, a "ONU tem tido um papel estratégico em indicar como organizar a presença humana no planeta Terra."

    Para ela, a Rio + 20 deverá nos trazer dois grandes temas: a economia verde, no contexto do desenvolvimento sustentável e na erradicação da pobreza, e propostas de estruturas institucionais para o Desenvolvimento Sustentável.
 
    "Seja a mudança que você quer ver", disse Cristina Carvalho Pinto, ambientalista, relembrando uma das frases famosas de Gandhi. "Essa é minha luta; essa é minha inquietação", disse Cristina, que também é presidente do Grupo Full Jazz de Comunicação e indicada como exemplo de inovação empresarial no país pela Fundação Cabral.
 
Abismo
 
    "Angústia", resume de forma brusca o sentimento dominante do engenheiro florestal e diretor de meio ambiente do Instituto Ecofuturo, Paulo Groke. "Qualquer um que esteja se dedicando (às questões ambientais) está cansado e angustiado. Há uma dificuldade de perceber que estamos à beira do abismo. Os avanços obtidos estão muito aquém do necessário", diz.

    Contudo, afirma Groke, estudos e propostas já existem. "O manejo do planeta Terra é o nosso plano maior de manejo. Se tívessemos aplicado 10% das propostas já feitas não estaríamos em uma situação tão delicada", acredita.
 
Gente que faz

    Além de sinopses, o livro traz entrevistas e breves biografias de autores como Rachel Carson (autora do pioneiro Primavera Silenciosa); Jeffrey Sachs e Joseph Stiglitz (economistas de destaque na cena mundial); Aldo Leopold (precursor do ambientalismo nos Estados Unidos); Buckminster Fuller (arquiteto, engenheiro, inventor e designer); Herman Daly (ex-economista chefe do Departamento Ambiental do Banco Mundial, ao qual foi atribuída a ideia de "crescimento deseconômico") e E.F. Schumacher (economista e estatístico inglês, autor de Small is Beautiful, considerado um dos 100 livros mais importantes do pós-guerra).
 
(Sérgio Corrêa Vaz/Especial para BR Press)