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MUNDO - Natal pagão
Dom, 25 de Dezembro de 2011 13:15

Papai Noel é uma invenção e um produto comercial e cultur...

Isaac Bigio*/Especial para BR Press

(Londres, BR Press) - O Natal é a festa mais comercial da história. Supõe-se que seja para honrar Jesus, ainda que este, desde o berço, tenha desprezado as riquezas e expulsado os mercadores do templo. Igualmente, a data em que a festa se dá (uma das noites mais frias, escuras, nevadas e longas do ano no hemisfério norte) difere da descrição do clima não invernal em que a Bíblia mostra o nascimento de Jesus, mais parecido com os trópicos.

Por outro lado, vários dos símbolos mais associados a esta festividade pouco têm que ver com o cristianismo. As árvores que adornam as casas são um costume milenar dos povos pagãos do norte da Europa, que no equinócio invernal de dezembro, prestavam culto ao fato de que, a partir dali, as noites mais geladas cederiam lugar aos dias mais extensos, ensolarados e frutíferos para as plantas.

Coisa de americano

Papai Noel é uma invenção moderna criada em um continente que Jesus desconheceu (América do Norte). Em Nova York, se misturaram diversas crenças do paganismo holandês (que fundaram a cidade) com outras escandinavas e norte-europeias. O deus germânico Odin, que viajava com um cavalo voador de oito patas, foi substituído por um Papai Noel com oito renas voadoras.

As renas são um dos mamíferos que mais distâncias percorrem. Nenhuma delas pode voar ou dar grandes saltos. Estes animais do norte da Rússia e da Escandinávia, assim como o Ártico, não foram conhecidos por Jesus ou por qualquer um das centenas de personagens bíblicos.

O fato de que uma das referidas renas, Rudolf, tenha um nariz que brilha como um farol vermelho, assim como os jogos de luzes elétricas natalinas, são criações do século XIX, quando se inventou a transmissão elétrica e quando os inícios das explorações polares induziram a proveniência de Santa Claus (Papai Noel) daquela região.

Folclore pagão

Na Bíblia não há duendes, e os que ajudam a trazer os presentes de Natal são outros personagens do folclore pagão. Papai Noel, assim como todos seus acompanhantes, são brancos nórdicos. A maioria da humanidade, no entanto, pertence a outras raças e vive em regiões onde não neva no Natal.

Este avô alegre era a estrela que as novas classes médias, na revolução industrial, necessitavam para propagar uma festa que unisse as famílias e estimulasse o consumo. A Coca-Cola se popularizou com Santa Claus, comquem, além disso, compartilha as mesmas cores vermelho e branco.

Papai Noel é uma invenção e um produto comercial e cultural de exportação dos EUA.

(*) Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics. É um dos analistas políticos latino-americanos mais publicados do mundo. Fale com ele pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , pelo Twitter @brpress e/ou no Facebook. Tradução: AngélicaCampos/BR Press