CAUSOS - Lembranças de VHS em DVD
Qua, 03 de Agosto de 2011 11:35

Paulo Betti*/Especial para BR Press

(Rio de Janeiro, BR Press) - Amigos,

Comecei a escrever essa coluna em 1993. O tempo é como "um rato que atravessa a sala", no dizer de meu amigo Domingos de Oliveira. Passa rápido demais!

Ontem, fiquei olhando um vídeo que fiz quando minha mãe veio para o Rio, me visitar. Foi mais ou menos naquela mesma época. Fomos passear no Cristo Redentor e eu estava visivelmente empolgado de mostrar as belezas da cidade para dona Adelaide. Não se revê um vídeo antigo impunemente.

Vi em DVD. Quando apareceu o DVD fui previdente e mandei fazer uma transposição das antigas fitas de vídeo VHS, já meio mofadas. Tudo mofa muito na umidade do Rio. As imagens estão razoáveis.

Espero que o tempo não as deteriore no DVD. Aliás, ninguém sabe o tempo que  resiste um DVD. Não podemos exigir da tecnologia que não se deteriore, se a vida é uma longa seqüência de deterioração.

Decompondo

Tom Jobim respondendo a um repórter que lhe perguntava o que estava compondo, respondeu com humor amargo: "Meu filho, eu estou decompondo."

A imagem de minha mãe, que gravei tão mal, está lá, do jeitinho mesmo que ela era, como diria o "deitado". Mas como fui equivocado na gravação! Preocupado em aprender a usar a câmera, deslumbrado com o novo brinquedo, fui filmando as paisagens que eu imaginava estar fascinando-a, e não as reações dela ao que estava vendo.

Fiquei imaginando mil razões para eu ter voltado a câmera para a paisagem ao invés da minha mãe. Uma delas me pareceu bastante razoável. Ela ficava muito incomodada quando eu a filmava. Já estava bem velhinha, a pele marcada pelo sol, talvez não quisesse  mesmo ser filmada.

O nome do DVD "Minha mãe no Rio" me enganou. Restou um subtítulo que acrescentei quando vi a fita pela primeira vez: "Um burro filmou isto".

Consolei-me vendo o outro DVD, feito na mesma época: "Na casa da Vó Adelaide, o eclipse". Aí, filmei direitinho, deixando-a falar na tranqüilidade e confiança da sua casa com os passarinhos cantando ao fundo, além de uma cigarra, que quase estraga todo o som da gravação.

Dica cultural

Nesta quarta-feira (03/08), estreia, na Praça Santos Dumont, a peça Sonho de Uma Noite de São João. O espetáculo acontece em palco montado em frente da Casa da Gávea, e ambientado numa verdadeira festa de São João, com barraquinhas de quentão e fogos de artifício.

Tem apresentações de quarta a sábado, sempre às 19h.

A peça é uma singela adaptação da obra Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare, o mais importante escritor de teatro de todos os tempos.

Aliás, é impressionante a qualidade e quantidade de livros à venda, em nossa língua, sobre a obra do autor e poeta inglês. Um dos títulos mais atraentes nas livrarias é 1599 - Um Ano na Vida de William Shakespeare, de James Shapiro, editora Planeta. Naquele ano, o autor escreveu Henrique V, Júlio César e Hamlet. Um ano que mudou o curso da literatura e dramaturgia mundial.

Outro livro interessante sobre o autor é Shakespeare e a Economia, de Gustavo Franco e Henry Farnam (Editora Zahar). Franco foi presidente do Banco Central no governo FHC, e também já abordou esse assunto na obra de Machado de Assis e Fernando Pessoa.

(*) Paulo Betti é ator e diretor.