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ITÁLIA - Direita, esquerda…Volver!
Qua, 03 de Novembro de 2010 09:26

Leda Lu Muniz*/Especial para BR Press

(BR Press) - Há algumas semanas, o premier da Itália Silvio Berlusconi ocupa as manchetes dos jornais italianos e europeus. Sempre que o foco das objetivas voltam-se para ele, pode-se esperar um verdadeiro furacão.  Envolvido sexualmente em uma polêmica com uma imigrante ilegal marroquina, menor de idade, usou do poder para infringir a lei em relação à proteção de menores, tentando coagir procuradores e policiais em Milão.

O escândalo vazou e o presidente da Câmara pediu a renúncia de  Berlusconi após tais notícias de escândalos. Como se não bastasse , Berlusconi ainda declarou que é “melhor gostar de meninas do que ser gay”, o que provocou manifestações de protesto por parte de associações e de artistas , durante o Festival Internacional de Cinema que acontece em Roma . Até a atriz Julianne Moore (premiada no festival) em seus agradecimentos, contestou a postura de Berlusconi comentando:.. “É uma pena que diga coisas tão idiotas, arcaicas, infelizes e embaraçosas”.

Repercussão

Para a imprensa internacional  Berlusconi está encrencado. O site da revista The Economist afirma que o último escândalo sexual “poderia provocar sérios danos ao primeiro ministro”, varrendo-o  do cenário político totalmente ridicularizado, porque “até mesmo seus  mais fiéis aliados percebem que ele faz da Itália um objeto de chacota internacional”.

Uma coisa é certa: o governo Berlusconi está paralisado. Há quatro meses não consegue nomear um  presidente para a Consob (agência reguladora do Mercado financeiro). Poder-se-ia dizer que o governo está virtualmente morto, devido à perda de credibilidade no seu condutor.
Em uma assembleia de jovens industriais, a presidente da Confindutria (associação que reúne todas as indústrias da Itália), Emma Marcegaglia, criticou com dureza as atitudes de Berlusconi e do governo: “...Uma nova onda de lama cobre a credibilidade e prestígio das instituições do governo. Este país deve reencontrar o sentido, o respeito pelas instituições e pelo Estado. O país tem de ser governado e não pode ficar abandonado a si mesmo”.

Retrocesso

A questão latente é: por que a Europa retrocedeu a ponto de eleger em alguns países (como na Itália  e  na França) figuras nitidamente comprometidas com o autoritarismo, o preconceito, o desrespeito aos direitos fundamentais, aliados a um populismo retrógrado? Quais os fatores que contribuíram para tal retrocesso?

Após a Segunda Guerra, as transformações políticas passaram de uma extrema direita aterrorizante a uma experimentação de esquerda malsucedida. A polaridade da Guerra Fria criou na sociedade europeia uma visão alternativa transformadora que incluía em seu bojo  inúmeras variáveis a serem consideradas.

Os países preocupados com a  própria inserção nesse bloco europeu voltaram-se mais  “para fora” deixando de incentivar e nutrir as transformações no interior de seus partidos, sindicatos, representações.  Os governos de esquerda, despojados de sua ideologia e ofuscados pelo poder, acabaram por implodir internamente, culminando no próprio fracasso.

Onde está a esquerda europeia?

Com uma  postura “pré-queda do muro”, totalmente inadequada neste momento histórico, abriu um espaço de ausência no qual a direita aproveitou para se reinstalar. Parou no tempo (tanto em suas estratégias políticas e institucionais, quanto na própria ideologia). Perdeu credibilidade, fez concessões, aliou-se a corruptos. A dinâmica social avançou e o discurso permaneceu retrógrado e fora de contexto , como num túnel do tempo.

A sociedade respondeu a quem lhe oferecia mais, e se manteve condescendente com as atitudes pessoais de tais líderes direitistas.Mas… Até quando? Sarkozy, na França, está sofrendo um revés histórico após semanas de greves e protestos. Berlusconi está sendo atacado até por seus mais fiéis aliados e pela massa de empresários do país. O limite de tolerância  está se esvaindo... Quem serão os atores da  mudança?

Leia mais sobre Julianne Moore contra Berlusconi aqui .


(*) Leda Lu Muniz trabalhou durante 15 anos na área de Relações Institucionais e Internacionais da União Européia, é mestre em Sociologia, especialista em Política Internacional, pesquisadora, consultora e analista de Relações Internacionais. Fale com ela pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-l, pelo Blog do Leitor ou pelo Twitter @brpress.