| COMPORTAMENTO ALIMENTAR - Desafio ao chef |
| Qui, 29 de Julho de 2010 11:38 |
|
Lia Ades Gabbay*/Especial para BR Press (BR Press) - Tem, no suplemento Paladar, de O Estado de S. Paulo, uma sessão que se chama Desafio ao Chef: são propostos a um chef alguns ingredientes (muitas vezes bastante exóticos e estranhos entre si), e ele precisa inventar uma receita a partir de todos eles. Pode acrescentar outras coisas também, mas tem de utilizar todos aqueles que lhe foram propostos como principais. E tem de ser uma receita inédita. Houve um desafio que transformou cupim, avocado, maxixe e cebolinha em um saboroso "Cupim ao molho de cabernet sauvignon e purê de avocado"; outro fez dos quatro ingredientes sugeridos (flor de abóbora, pistache, ricota e arenque) um très chic "Cannolo de ricota e pistache, creme de flor de abobrinha e aspic de arenque defumado". Realidade Mas não é de culinária (ou somente de culinária) que quero falar! Quero pensar no desafio ao chef como metáfora para a vida: somos nós, também, desafiados com "ingredientes" oferecidos pela realidade de quem somos, pela própria experiência, pela nossa história. Muitas vezes, ingredientes "exóticos e estranhos entre si". É isso que se é, é isso que se tem... o que fazer com isso? Em que transformar? O que construir? Como os chefs que participaram da proposta do suplemento, a regra no desafio da vida é que não se pode negar o que se tem. Não adianta pensar que seria melhor se fosse... daquele outro jeito, sem essa ou aquela caracterÃstica nossa que preferÃamos que não existisse. Não adianta se ater ao fato de que tal ingrediente não combina com o resto, ou estraga o prato. Sorte? Muitas vezes, ficamos nos questionando os porquês. Lamentamos não ser como o outro. Não ter o que o outro tem. Temos admiração e inveja do outro, frente ao qual nos sentimos diminuÃdos. Não por alguma atitude dele, mas por causa do nosso próprio modo de ver as coisas. Perguntamo-nos por que não nos foi dada tal sorte... e ficamos estanques. Muitas vezes querÃamos "arrancar" de nós certo jeito de funcionar que nos atrapalha muito. "Se não fosse por isso... eu poderia crescer!", pensamos. E ficamos lutando para eliminar o indesejado por completo, pela raiz. Experimentando Qual o segredo dos chefs? Como fazer sentido e dar um nome a uma receita feita com ingredientes que nos são dados? E como fazer com que a receita seja gostosa e interessante? Antes de mais nada, os chefs consideram os ingredientes que têm! Não se questionam nem se lamentam: "Por que me deram justo esses ingredientes?!" Pensam: COMO vou utilizar o que eu tenho para fazer algo legal e que me deixe satisfeito? E não pensem que eles acertam de imediato. Como na vida, a cozinha é basicamente experimental! Cada pessoa tem seus ingredientes, suas caracterÃsticas, seu potencial, seus recursos. Isso é único! O sucesso do resultado de cada um depende da combinação (e re-combinação) criativa dos seus possÃveis. E muito da satisfação ocorre antes do prato ficar pronto: vem do prazer de cozinhar! (*) Lia Ades Gabbay é psicóloga, com mestrado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano. O titular desta coluna, Dr. Alessandro Loiola está em férias. Fale com ela pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou pelo Blog do Leitor. |



