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CAUSOS - Cinema em Paulínia
Seg, 26 de Julho de 2010 13:08

(BR Press) - Amigos,

Toda vez que vou para o interior de São Paulo, tenho a sensação que estou em casa. Pelas estradas vou vendo as placas e reconhecendo as cidades que sempre constaram do mapa que ocupava meu caderno na escola. Acho que sei desenhar direitinho aquele mapa, sem precisar da régua-contorno.

Na região de Campinas então, foi a que eu andei mais pelas estradas. Por sete nos, fui pela Bandeirantes para a Unicamp, época em que morava em São Paulo e implantávamos o curso de teatro por lá.
As cidades que apareciam nas placas eram aquelas palmilhadas por minha família.

Meu pai nasceu em Tietê. Eu em Rafard, na época subdistrito de Capivari. Minha irmã Ana morava em Campinas. Maria mora em Piracicaba. A casa onde nasci estava no meio de um canavial.

Não só as placa me fazem me sentir em casa. Mas o ar, o céu azul, horizonte amplo, o cheiro das queimadas... Agora, tem o aeroporto de Viracopos, para onde vou quando quero ir pra Sorocaba – muito mais fácil do que ir para São Paulo e pegar congestionamentos na Marginal.

No entanto, não havia Paulínia no meu mapa sentimental. Pelo menos não me lembrava de suas placas, embora estivesse sempre tão perto de Campinas.
Agora têm. É por causa do cinema.

Boa ideia

Uma ideia muito boa transformou Paulínia na capital cinematográfica do Brasil. O dinheiro da arrecadação da indústria petroquímica é investido no cinema, na produção de filmes, na criação de estúdios.

Um grande teatro foi construído e o projeto foi implantado com muito dinheiro esforço e conhecimento de pessoas certas. Rubens Ewald Filho, que todos estamos acostumados a ver na televisão comentando sobre a festa do Oscar, é um dos que estão à frente do projeto. Paulínia é obra da vida de "Rubinho", como todos o chamam carinhosamente, apesar de ser um homem grandão.

Isso deve querer dizer alguma coisa. É fácil de constatar o que, quando se vê o respeito e o carinho que ele dedica ao festival e ao pessoal de cinema. Artistas e realizadores – todos se sentem amigos do Rubinho.

Continuidade

O prefeito atual está dando seguimento às diretrizes do mandato do anterior. Poucos políticos fazem isso. Geralmente, jogam tudo que foi feito fora e vão numa outra direção. Mas em Paulínia, para a sorte do cinema, isso será difícil de acontecer.

O Pólo Cinematográfico está concretizado num grande teatro, em grandes estúdios e na lei. Será que alguém vai acabar com tudo isso? E os filmes todos que foram produzidos lá? E a cidade que se acostumou a trabalhar nos filmes, a conviver com os artistas e aprender nas escolas de audiovisual que estão lá instaladas?

(*) Paulo Betti é ator e diretor. Fale com ele pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .