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SUÍÇA - Segredo bancário X Alemanha
Qui, 11 de Fevereiro de 2010 17:33

Angela Merkel: compra de CD contendo informações sobre con...

(Genebra, BR Press) – A relação entre a Suíça e a Alemanha se deteriorou nos últimos dias, após a chanceler Angela Merkel decidir comprar um CD contendo informações sobre contas secretas, em bancos suíços, de 1500 alemães fraudadores do fisco. Segundo informações divulgadas, foi oferecido ao governo alemão outro disco, contendo mais dois mil nomes de fraudadores com capitais no país.

    Hacker

    Tentando salvar o pouco que resta de seu segredo bancário – depois de pressões americanas e francesas –, a Suíça foi novamente apanhada em flagrante delito de guardar em seus cofres capitais provenientes de evasões fiscais. Há um mês, a França comprou de hacker informações sobre 1300 contas secretas de franceses.

    Desesperado e desmoralizado, o governo suíço tenta salvar seu já fragmentado e moribundo segredo bancário, com novos acordos bilaterais e descontos indiretos nas contas de depositantes europeus. Mas os últimos escândalos e o surgimento dos vendedores de informações tornam praticamente impossível manter-se o que resta do rentável sigilo, criado em 1934.
 
Crise de confiança

    Após as denúncias de seus próprios clientes ao governo americano pelo banco UBS, o clima de confiança junto aos correntistas foi rompido e montanhas de capitais estrangeiros fogem da Suíça – desaparecendo como as geleiras do Ártico. Além disso, a recente anistia dos governos italiano e holandês aos detentores de capitais repatriados da Suíça esvaziou os bancos do país dos Alpes em mais alguns milhões de euros.

    O ministro Hans Rudolf Mertz, considerado o mais fraco entre os sete que dirigem a Suíça, usa uma linguagem moderada, para não dizer submissa para definir o imbroglio entre seu país e a Alemanha: "A situação entre os dois governos e os dois países é boa, não se deve conturbá-la, colocá-la em perigo. Isso não serve para nada, nem para a Alemanha e nem para a Suíça. A solução seria um novo acordo de dupla tributação seguindo o modelo da OCDE". Para Mertz, "assim se evitará tais conflitos no futuro, desde que avancemos dentro do tratado de dupla tributação".

    Ilegal

    O novo ministro do Interior, Didier Burkalter, critica a compra de informações bancárias realizada pela Alemanha e define como “chocante” a utilização destes dados. E propõe que a situação se resolva logo. “As relações que temos, no caso presente com a Alemanha, devem ser estabilizadas, mas para isso é preciso tornar bem clara a situação e acho que o acordo de dupla imposição que estamos fazendo – que soluciona a questão, eliminando as diferenças e divergências entre fraude e evasão – é algo que nos permite avançar”, declarou.
   
        Há um debate atual na Alemanha sobre a sequência desse acordo – a única maneira de evitar que as relações entre os dois países se deteriorarem seriamente.
 
(Rui Martins/Especial para BR Press)