|
Normann Kalmus*/Especial para BR Press
(BR Press) - É inevitável. O último artigo do ano, no último dia do ano, não poderia deixar de avaliar o que aconteceu em 2009, além de tentar lançar algumas questões sobre o porvir.
O primeiro balanço do desempenho do Natal de 2009 não foi exatamente o que se poderia esperar para um ano em que uma crise de proporções catastróficas se abateu sobre todas as economias do mundo. Segundo divulgado pela empresa de pesquisa E-bit, o movimento do comércio eletrônico no Brasil entre 15 de novembro de 24 de dezembro apresentou um crescimento de 28% sobre o mesmo período de 2008, totalizando R$1,6 bilhão.
É um indicativo interessante e que demonstra que está crescendo a confiança do brasileiro em relação às compras virtuais, isso para não mencionar o fato de que a economia aparentemente está se recuperando do tremendo baque sofrido.
Crise, que crise?
O impacto da crise, no entanto, não foi pequeno. Prova disso foi a deflação de 1,72% apontada pelo IGP-M e, antes que você pergunte, deflação não é exatamente um indicativo de economia saudável. Aliás, muito pelo contrário, porque é um indício forte de que os produtores estão se remunerando menos e, se o fizeram, é porque não houve mercado para repassar os custos crescentes. Menos lucro, menos capacidade de investimento, menos tecnologia...
Além disso, o volume de reclamações em relação à falta de cumprimento dos prazos de entrega também aumentou. Aliás, segundo o site ReclameAqui, o volume deste ano é maior que o dobro do ano passado nesta época.
Afinal, o que está acontecendo?
É evidente que o crescimento do volume de compras, aumenta a probabilidade de existência de problemas de entrega mas não nessa proporção e ainda é cedo para identificar as causas e a completa extensão do problema. Afinal, a se repetir o padrão do ano passado, o maior volume de reclamações vai aparecer realmente em janeiro.
Mas independente do resultado final, o que já se evidencia é que os erros estão sendo repetidos. E não é só na área de e-commerce.
Na administração pública os escândalos se sucederam e a força da mordaça se fez sentir calando o jornal O Estado de S. Paulo que completa hoje a triste marca de 153 dias sob censura. Isso porque supostamente no Brasil a censura é proibida.
Cidadania
Preocupa a constatação de que a maior parte das pessoas simplesmente ignora questões absolutamente essenciais dos direitos da cidadania, entre elas o direito à informação e à educação.
Estamos naquela época em que os “propósitos de ano novo” preenchem boa parte de nossos dias. Ótimo, nada contra. Só quero trazer algumas considerações a respeito de nossa função na formação da sociedade.
O cidadão comprometido sabe que tem direitos e exige que sejam respeitados. Não só quando a bicicleta nova chega tarde ou a esteira vem com defeito, mas também quando não lhe é permitido informar-se, quando o imposto que paga é utilizado para engordar cofres particulares dos gestores ou para “comprar panetones”.
O cidadão consciente percebe que, ao virar as costas aos problemas crônicos do país, está colaborando para que o futuro seja igual ou pior do que foi o passado, compreende que não está sozinho no mundo e que seus filhos não conseguirão viver dias melhores se os dias atuais estiverem calcados em falcatruas ou negociatas inconfessáveis.
Colaboração e eleição
O Cidadão 2.0 compreende que, ao manifestar-se, está colaborando para que novas idéias surjam, trazendo o debate para questões que eventualmente estiveram esquecidas, que nenhuma pessoa pode abster-se de colaborar para criar melhores condições de vida. Compreende que todos estamos relacionados e que ninguém pode considerar a possibilidade de construir sua felicidade valendo-se da infelicidade alheia.
Em 2010, os brasileiros participarão de mais uma eleição de extrema importância –mas não será o único evento em que a cidadania será manifesta. A cada momento, a cada ato ou decisão, lá está a participação de cada um de nós.
Não podemos esperar que nosso país seja melhor, que nosso fornecedor seja mais consciente, que os preços sejam mais justos e que nossa remuneração seja mais adequada se não formos, nós também, melhores, mais conscientes e justos.
Um ano novo realmente novo para todos nós!
(*) Normann Kalmus, economista, especialista em Gestão do Conhecimento e Educação Ambiental, mantém o blog Pensando Eco-Eco (normannkalmus.com.br/blog), é membro da International Society for Ecological Economics (ISEE) e assina na BR Press esta coluna sobre a web e o consumidor 2.0, fruto do efeito da revolução digital nas relações corporativas. |